Publicado 09 de Fevereiro de 2021 - 8h40

Por AFP

Sons estranhos e, de repente, uma tromba d"água no fim do túnel. Após a queda de uma geleira do Himalaia na Índia, cerca de dez homens presos tiveram que lutar para sobreviver como em um "filme de Hollywood", explicou um deles à AFP.

Várias dezenas de operários trabalhavam no domingo em um túnel do complexo hidrelétrico no rio Dhauliganga, no estado de Uttarakhand, norte da Índia, quando de repente uma inundação repentina devido ao colapso de parte da geleira atingiu o vale, destruindo pontes e estradas.

Nesta segunda-feira, as autoridades confirmaram 18 mortos e ao menos 200 desaparecidos.

"Estávamos trabalhando no túnel, a 300 metros da saída. De repente, escutamos barulhos e gritos pedindo que saíssemos", explica à AFP Rajesh Kumar, na maca do hospital.

"No início, pensamos que fosse um incêndio. Começamos a correr", lembra este homem de 28 anos. "Olhamos para a saída, quando a água caiu. Era como um filme de Hollywood".

Kumar e seus companheiros permaneceram quatro horas no fundo do túnel alagado, pendurados como podiam nos andaimes, lutando para manter a cabeça fora d"água e esquivando dos restos de rochas e madeiras trazidos pela água.

"Estávamos todos presos, e não parávamos de dizer: aconteça o que acontecer, não devemos soltar as barras. Graças a Deus, nossas mãos não cederam", acrescenta. "Achávamos que não sairíamos dessa".

Quando a água começou a baixar pelo vale, o nível da água do túnel foi diminuindo pouco a pouco. No final, restou muita lama e escombros de mais de 1,5 m de altura.

"Escalamos os restos das rochas e fomos abrindo caminho até a entrada do túnel", disse. Então, encontraram uma pequena abertura.

"Tudo o que sabíamos é que podíamos sentir um pouco de ar" que saía. Depois, finalmente, viram a luz exterior, acrescenta.

Nesse momento, um dos homens conseguiu captar o sinal do celular e ligou para os serviços de resgate, que conseguiram localizá-los e tirá-los de lá, sãos e salvos.

Todos estão bem e tiveram apenas feridas leves.

Escrito por:

AFP