Publicado 09 de Fevereiro de 2021 - 8h20

Por AFP

Um julgamento retumbante sobre o financiamento ilegal do Partido Popular (PP, direita), especialmente quando seu ex-líder Mariano Rajoy estava no poder, foi aberto nesta segunda-feira (8) em Madri, com a perspectiva de novas revelações constrangedoras para este partido que hoje é oposição.

Primeiro-ministro de 2011 a 2018, Rajoy, que sempre negou ter conhecimento da existência de um caixa secreto em seu partido, será testemunha durante o julgamento, que será realizado até maio.

Esse também será o caso de José Maria Aznar, outro primeiro-ministro (1996-2004) do PP, e de outros ex-dirigentes partidários.

Cinco homens estão no banco dos acusados, mas todos os olhos estão voltados para um deles, Luis Bárcenas, figura-chave neste caso de corrupção que abala o Partido Popular e seu novo líder Pablo Casado.

Ex-tesoureiro do PP de 1990 a 2009, Luis Bárcenas enviou uma carta ao Ministério Público na semana passada, na qual dizia que Rajoy estava "plenamente ciente" das "contas paralelas" do PP, mantidas no papel.

Até afirma ter mostrado a ele em 2009 alguns desses documentos durante uma reunião, acrescentando que Rajoy os havia destruído em uma trituradora, sem saber que Bárcenas tinha uma cópia.

Esta correspondência teve o efeito de uma bomba na Espanha. Uma mensagem de Rajoy a Bárcenas durante a prisão deste último em 2013 ("Luis, seja forte") já havia levantado suspeitas contra o ex-primeiro-ministro.

Condenado em 2018 em um amplo caso de corrupção denominado "Gürtel" - que levou à derrubada de Rajoy por uma moção de censura apresentada pelo atual primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez -, Barcenas já cumpre uma pena de 29 anos de prisão.

Este primeiro julgamento, em que o PP foi condenado como pessoa moral, revelou a existência de contas paralelas do partido, alimentadas por doações em dinheiro de empresas e utilizadas, segundo o Ministério Público, para financiar a remuneração dos dirigentes da formação ou reforma de sua sede.

Bárcenas afirma, por sua vez, que Rajoy foi um dos beneficiários desse fundo.

Além disso, o ex-tesoureiro explicou em sua carta que agora está pronto para colaborar com a Justiça, tendo sido rompida a "paz" que ele disse ter selado com o PP.

Bárcenas garante que prometeu guardar silêncio sob a condição de que sua esposa, também envolvida nos casos, não fosse presa. No entanto, ela foi finalmente detida em dezembro para cumprir uma sentença de prisão de 12 anos.

Ele também expressou seu "sofrimento" por ter sido alvo de uma operação policial ilegal destinada a recuperar documentos comprometedores para o PP, um caso dentro do caso em que um ex-,inistro do Interior de Rajoy foi indiciado.

Questionado sobre a abertura deste processo muito embaraçoso para o PP, Casado, que sucedeu Rajoy à frente do partido em 2018, assegurou que os casos estavam "no passado".

Esse PP "não existe mais", disse ele nesta segunda-feira, ansioso para se distanciar desses escândalos.

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