Publicado 09 de Fevereiro de 2021 - 0h22

Por AFP

O comandante-chefe do Exército de Mianmar, Min Aung Hlaing, justificou nesta segunda-feira (8) o golpe de Estado que depôs o governo civil de Aung San Suu Kyi, ao alegar novamente "fraudes eleitorais" durante as legislativas de novembro.

"Para manter e proteger o sistema democrático, Tamataw [as forças armadas], de acordo com a Constituição de 2008, declarou o estado de exceção", disse Ming Aung Hlaing à rede de televisão Myawaddy TV.

Em sua primeira declaração pública desde o golpe de Estado em 1o de fevereiro, também disse que investigam "as autoridades responsáveis por essas fraudes eleitorais".

Nesse dia, os generais interromperam uma frágil transição democrática com a instauração do estado de exceção de um ano e detiveram Aung San Suu Kyi, assim como outros líderes de seu partido, a Liga Nacional para a Democracia (LND).

Mianmar viveu sob o jugo dos militares durante cerca de 50 anos desde sua independência em 1948.

Em 2010, iniciou uma liberalização progressiva e um governo civil, liderado de fato por Aung San Suu Kyi, chegou ao poder depois da vitória do LND nas eleições de 2015.

O partido venceu novamente por uma maioria esmagadora nas legislativas de novembro, em uma eleição que os militares classificam como fraudulenta, apesar de os observadores internacionais não terem constatado maiores problemas.

Os generais, na verdade, temem perder influência após a vitória do LND, que poderia querer reformar a Constituição, que é muito favorável aos militares. O exército prometeu eleições livres no fim do estado de exceção.

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