Publicado 08 de Fevereiro de 2021 - 15h10

Por AFP

Uma lista de detenções realizadas em 12 de dezembro durante um protesto de dezenas de milhares de pessoas em Paris contra o polêmico projeto de segurança da França foi "arbitrária", disse a Amnistia Internacional França (AIF) nesta segunda-feira (domingo, 7, no Brasil).

Das 142 pessoas que foram presas, incluindo 124 que foram levadas sob custódia, "quase 80% não enfrentaram nenhuma acusação no final", concluiu um estudo da filial francesa da agência de direitos humanos.

Uma proporção semelhante de detidos em relação às acusações apresentadas foi observada no movimento dos "coletes amarelos", que teve seu auge no final de 2018 e no início de 2019, de acordo com o promotor de Paris, Remy Heitz.

A AIF, que se juntou a um grupo maior contrário ao projeto de lei, disse ter "preocupações legítimas sobre a possibilidade de que houve prisões arbitrárias e outras violações dos direitos humanos".

A legislação, já descartada, restringiria a publicação com "intenções maliciosas" de fotos de policiais em serviço, uma medida condenada por ser considerada uma trava à liberdade de imprensa.

Anne-Sophie Simpere, autora do relatório da Amnistia, disse à AFP que a marcha de protesto de 12 de dezembro no centro de Paris não teve qualquer "violência notável", acrescentando: "Nada parece justificar o que aconteceu em termos de prisões ou acusações."

O relatório se focou em interrogatórios policiais, atestados médicos e documentos judiciais em 35 casos de pessoas detidas, mas não acusadas. Dois foram detidos por quase cinco horas, enquanto os outros 33 passaram a noite presos.

Um pesado contingente policial seguia os manifestantes e os flanqueava dos dois lados, impedindo que qualquer um deles deixasse o protesto, relataram os jornalistas da AFP na época.

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