Publicado 08 de Fevereiro de 2021 - 11h20

Por AFP

Autoridades haitianas informaram neste domingo (7) ter frustrado uma "tentativa de golpe" de Estado contra o governo do presidente Jovenel Moise, que teria sido alvo de um atentado igualmente mal sucedido em meio a controvérsias sobre o fim do seu mandato.

Esse plano foi uma "tentativa de golpe de Estado", segundo o ministro da Justiça haitiano, Rockefeller Vincent. Outras fontes oficiais disseram que 23 pessoas foram detidas, entre elas um juiz e uma oficial da polícia nacional.

"Agradeço ao responsável pela minha segurança e pela do palácio. O sonho dessa gente era atentar contra minha vida. Graças a Deus isso não ocorreu. O plano foi abortado", disse Moise.

O presidente disse ter havido uma tentativa de atentado contra a sua vida, mas que o plano "foi abortado".

O presidente, que está sendo pressionado pela oposição, falou no aeroporto de Porto Príncipe, capital do país, acompanhado de sua esposa e do primeiro-ministro, Joseph Jouthe, a quem delegou "dar todos os detalhes, sem filtro".

Vinte e três pessoas foram presas pelas autoridades, incluindo um juiz do Tribunal de Cassação e uma inspetora da polícia nacional, disse Jouthe a jornalistas.

O presidente governa sem o controle do Legislativo desde o ano passado e diz que se manterá no cargo até 7 de fevereiro de 2022, em uma interpretação da Constituição rejeitada pela oposição, o que gerou protestos por alguns que consideram que seu mandato termina neste domingo.

Os Estados Unidos aceitaram na sexta-feira a posição de Moise. O porta-voz do Departamento de Estado, Ned Prince, disse que Washington pediu "eleições legislativas livres e justas para que o Congresso possa retomar o poder que lhe corresponde".

A disputa sobre o fim do mandato é consequência da primeira eleição de Moise. Em outubro de 2015, ele foi eleito para um mandato de cinco anos em eleições cujo escrutínio foi cancelado por fraudes e depois voltou a ser eleito um ano depois.

Este ano deviam ser realizadas eleições legislativas e municipais, mas as mesmas foram adiadas, o que gerou um vácuo de poder e Moise diz estar habilitado para continuar no cargo por mais um ano.

Após as disputadas eleições, os protestos da oposição para exigir sua renúncia se intensificaram no verão de 2018.

Nos últimos anos, a sociedade civil fez campanha contra a corrupção e a insegurança, com a proliferação de gangues em todo o país.

Em carta difundida na sexta-feira, diversas organizações de defesa dos direitos humanos e civis criticaram a missão da ONU no Haiti por dar apoio técnico e logístico aos planos do presidente de celebrar um referendo constitucional em abril e depois eleições presidenciais e legislativas.

"Em nenhuma circunstância as Nações Unidas devem apoiar os planos antidemocráticos do presidente Jovenel Moise", destacou a mensagem.

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