Publicado 07 de Fevereiro de 2021 - 20h51

Por Estadão Conteúdo

O diretor executivo da ONG Transparência Partidária, Marcelo Issa, chama atenção para o potencial desperdiçado pelos partidos com a contribuição dos próprios filiados. Ele observa que um maior volume de doações reduziria a dependência dos recursos públicos.

O que mais chamou atenção nos resultados do estudo?

Essa baixa quantidade de apoios, especialmente quando a gente mediu o engajamento dos filiados. Realmente levanta uma reflexão sobre o que efetivamente torna uma pessoa filiada a um partido político, qual o nível de comprometimento dos filiados atuais e até das direções partidárias em envolver suas bases na vida partidária e buscar ampliar suas receitas junto aos filiados. Do ponto de vista até utilitário, seria esperado que os dirigentes se esforçassem para ampliar as receita através de doações dos filiados ou pessoas físicas, e isso não ocorre.

O perfil dos contribuintes mostra semelhanças entre partidos de espectro ideológico diferente. Por que isso ocorre?

É uma elite intelectual e financeira. Há duas explicações. Uma é de ordem sociológica, porque essas pessoas podem ter uma consciência maior do que é um partido, qual a relevância, e o sentido de contribuir financeiramente. E a outra é obviamente a questão econômica, de disponibilidade dos recursos. Cabe justamente aos partidos, até mesmo aqueles que têm mais filiados e com os mais diferentes perfis, também envolver os seus filiados para que contribuam com o que possam. A discussão não passa necessariamente pelo valor da contribuição, mas pelo nível de engajamento, pela motivação de participar.

Nas circunstâncias atuais, o potencial em dinheiro dessas contribuições seria relevante?

Sim. Imagine que tivéssemos uma inadimplência de 50% (dos 16 milhões de filiados). Ainda que só 8 milhões contribuíssem com R$ 5 (por mês), isso equivale a R$ 480 milhões. É metade do Fundo Partidário. Se fosse uma contribuição de R$ 10, seria equivalente ao Fundo Partidário.

Se a gente tivesse esse financiamento pelos próprios filiados, talvez não precisasse de um fundo eleitoral ou partidário tão grande, ou pudesse ser reduzido ao longo do tempo.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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