Publicado 07 de Fevereiro de 2021 - 9h30

Por AFP

Um ano depois do primeiro julgamento político, o ex-presidente Donald Trump enfrentará a partir de terça-feira (9) um segundo processo no Senado, cujos integrantes devem determinar se ele incitou ou não o ataque ao Capitólio que deixou cinco mortos em janeiro.

Os 100 senadores também entrarão em território polêmico e inexplorado ao julgar um presidente que não está mais no cargo.

Trump continua gravitando ao redor do Partido Republicano, apesar de ter deixado a Casa Branca, mas hoje parece politicamente enfraquecido.

No centro dos procedimentos da próxima semana está o ataque de 6 de janeiro, quando centenas de partidários de Trump invadiram o Congresso, enfrentaram a polícia e tentaram impedir a certificação da vitória eleitoral de Joe Biden.

O levante, que segundo alguns congressistas democratas foi uma tentativa de golpe protagonizada por terroristas domésticos, foi descrito como o maior ataque à democracia americana desde a Guerra Civil de 1860.

A ação deixou os membros do Congresso em choque e a nação tão enfurecida que os democratas iniciaram de maneira imediata o processo de destituição contra Trump, duas semanas antes do fim de seu mandato.

Em 13 de janeiro, a Câmara de Representantes o acusou de "incitação à insurreição", o que transformou Trump no primeiro presidente americano a ser submetido duas vezes a um julgamento político. Nenhum outro comandante em chefe foi tão desonrado.

Nenhum presidente dos Estados Unidos, no entanto, foi condenado em um julgamento de impeachment no Congresso e provavelmente esta não será a exceção.

Um dos principais objetivos dos democratas que defendem o julgamento político seria conseguir que Trump não possa mais ocupar um cargo eletivo no futuro.

Os canais de televisão americanos cobriram o ataque ao Congresso ao vivo. Alguns vídeos que circularam na internet mostram participantes da invasão ao Capitólio repetindo que Trump "nos quer aqui".

Os críticos do ex-presidente afirmam que ele violou o juramento ao incitar o ataque de seus partidários.

O republicano e seus aliados argumentam que o julgamento é inconstitucional porque o Senado pode condenar e destituir um presidente em exercício, mas não um cidadão comum.

Esta abordagem permitiria à equipe de defesa e aos senadores republicanos evitar a necessidade de defender os tuítes e diatribes de Trump no período prévio ao ataque.

A presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, que reuniu um equipe de nove democratas para atuar como relatores do julgamento político, afirma que não condenar o ex-presidente prejudicaria a democracia americana.

"Veremos se este Senado é corajoso ou covarde", afirmou Pelosi na quinta-feira.

Escrito por:

AFP