Publicado 07 de Fevereiro de 2021 - 8h43

Por AFP

Dezenas de milhares de birmaneses protestaram novamente em Yangon neste domingo contra o golpe de Estado que derrubou o governo de Aung San Suu Kyi, na maior manifestação no país desde a revolta de 2007, enquanto o acesso à internet foi parcialmente restabelecido após dias de bloqueio.

Os manifestantes, quase 100.000 de acordo com várias estimativas, se reuniram perto da prefeitura da capital econômica do país, onde um grande dispositivo policial foi mobilizado.

Em várias cidades do país também foram organizados protestos, com muitos participantes, de acordo com os correspondentes da AFP.

Estas são as maiores manifestações desde a "Revolução Açafrão" de 2007, violentamente reprimida e que terminou com dezenas de mortos.

"Vamos continuar protestando até que democracia volte. Abaixo a ditadura", declarou Myo Win, de 37 anos.

"A ditadura está enraizada em nosso país há muito tempo", lamentou Myat Soe Kyaw.

Alguns manifestantes entregaram rosas aos policiais, otros exibiram cartazes com frases como "Libertem a mãe Suu", em referência a Aung San Suu Kyi.

Também foram exibidas bandeiras do partido de Suu Kyi, a Liga Nacional para a Democracia (LND), e muitas pessoas fizeram a saudação com três dedos, um gesto de resistência.

"Não tenho medo da repressão" e "vamos lutar até o fim", gritaram os estudantes.

Apesar do medo, em um país acostumado à repressão violenta como em 1988 e 2007, os habitantes de Yangon voltaram às ruas nas primeiras horas de domingo para, como afirmam, "expulsar os demônios", os militares, com direito a panelaços.

No sábado, milhares de pessoas se reuniram em várias cidades do país para condenar o golpe de Estado de 1 de fevereiro, que acabou com 10 anos de frágil democracia.

Os militares decretaram estado de emergência por um ano. Aung San Suu Kyi, líder de fato do governo civil, e outros dirigentes da LND foram detidos.

Os generais não fizeram comentários sobre os protestos.

Na domingo à tarde, o acesso à internet foi parcialmente restabelecido, após um bloqueio de vários dias, de acordo com a ONG Netblocks.

O exército havia ordenado aos fornecedores de internet que bloqueassem o acesso ao Facebook, rede social utilizada por milhares de birmaneses, Twitter e Instagram.

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