Publicado 06 de Fevereiro de 2021 - 21h30

Por AFP

Mahmoud Hussein, jornalista da Al Jazeera do Catar, chegou a sua casa no Cairo neste sábado (6), após quatro anos em uma prisão no Egito, informou um jornalista da AFP, em meio à melhoria das relações entre os países.

O egípcio de 54 anos foi libertado na quinta-feira de uma prisão do Cairo, uma fonte da segurança e sua filha Azzahra Hussein confirmaram à AFP, mas as condições da fiança em uma delegacia de polícia no sul do Cairo ainda estavam sendo finalizadas.

"O pai dele morreu antes de testemunhar este momento, que ele esperou por muito tempo", disse a mãe de Hussein à AFP antes da chegada de seu filho.

Segurando um colar com uma foto de Hussein, ela estava cercada por uma multidão de parentes e simpatizantes que instalaram luzes coloridas para comemorar seu retorno.

Os vizinhos distribuíram bebidas enquanto as crianças acendiam fogos de artifício e as mulheres batiam palmas e ululavam. Outros correram para abraçá-lo em sua pequena vila nos arredores do Cairo.

A Al Jazeera do Catar - que realizou uma campanha diária pedindo sua libertação - disse repetidamente que ele estava sendo detido "sem acusações formais nem julgamento".

De acordo com a lei egípcia, os detidos podem ser mantidos em prisão preventiva por até dois anos, mas as autoridades frequentemente prolongam esse período.

"Mesmo havendo a liberdade condicional... Papai está fora da delegacia, graças a Deus. Liberdade para todos os oprimidos", declarou sua outra filha, que vive em Paris, Aya Hussein, no Twitter.

A soltura de Hussein ocorre pouco mais de duas semanas depois que o Egito e o Catar restauraram os laços diplomáticos, após um congelamento de três anos liderado pelos sauditas nas relações com Doha, com um foco particular na cobertura da Al Jazeera.

Cairo criticou a postura da rede pan-árabe, considerando-a uma porta-voz da Irmandade Muçulmana.

O grupo foi declarado ilegal depois que o general que se tornou presidente Abdel Fattah al-Sisi liderou a derrubada militar do islamista Mohamed Morsi em 2013.

"A Al Jazeera Media Network sauda a notícia da liberdade de Mahmoud e acredita que nenhum jornalista deveria ser submetido ao que Mahmoud sofreu nos últimos quatro anos por meramente exercer sua profissão", disse a rede sediada em Doha em nota no sábado.

"Enquanto estava preso, Mahmoud se tornou um símbolo da liberdade de imprensa em todo o mundo", acrescentou a Al Jazeera.

O Egito é um dos países que mais prende jornalistas no mundo, atrás da China e da Turquia, segundo o grupo de liberdade de imprensa Comitê para a Proteção de Jornalistas.

str-ff/lg/ic

Escrito por:

AFP