Publicado 06 de Fevereiro de 2021 - 17h20

Por AFP

O novo primeiro-ministro interino da Líbia, Abdel Hamid Dbeibah, prometeu neste sábado (6) reconstruir o país, dividido e devastado pela guerra civil, e trabalhar "com todos os líbios".

Dbeibah e três outros membros de um conselho presidencial foram eleitos na sexta-feira perto de Genebra por 75 membros do fórum de diálogo político, como parte de um processo de paz lançado pela ONU em novembro.

A missão do novo executivo temporário é instaurar um novo governo, preparar as eleições de dezembro e acabar com uma década de caos.

Em um discurso transmitido pela televisão, Dbeibah urgiu todos os líbios a apoiarem seu governo para "a reconstrução do país" e declarou-se pronto para "ouvir e trabalhar com todos os líbios, qualquer que seja sua ideologia, filiação ou região".

Engenheiro de formação e um rico empresário, Dbeibah chamou a eleição de sexta-feira de "uma consagração da democracia e da unidade".

Dez anos após a queda de Muammar Gaddafi, a Líbia continua atolada em uma grave crise política, com dois adversários até agora: no oeste, o reconhecido Governo de União Nacional (GNA), apoiado pela Turquia, e no leste, o marechal Khalifa Haftar, apoiado pela Rússia.

Haftar saudou o acordo de Genebra, e seu porta-voz, Ahmad al Mesmari, parabenizou em particular "as personalidades patrióticas" que assumem as rédeas do governo interino.

Natural de Misrata (noroeste), perto da capital Trípoli, o empresário tem 21 dias para formar seu gabinete. Ele terá outros 21 dias adicionais para obter a confiança do Parlamento, ou seja, no mais tardar 19 de março.

Com esta escolha começa uma fase e termina outra: a dos acordos de Skhirat (Marrocos), assinados em 2015 com a mediação da ONU, que levaram à formação do GNA e a designação de seu chefe, Fayez al-Sarraj.

Mas Sarraj não conseguiu em nenhum momento a confiança do Parlamento nem impôs sua autoridade na conjunto das forças políticas e militares do país.

O novo primeiro-ministro está longe de gerar unanimidade, pois ocupou cargos importantes durante o regime de Muamar Khadafi, que foi derrubado em 2011, depois de passar 42 anos no poder.

Além disso, ao lado de seu primo Ali Dbeibah - outro empresário -, ele é alvo de investigações na Líbia e outros países por desvio de verbas. O mesmo primo integrava o Fórum que votou na sexta-feira para o novo Executivo.

Após o fracasso da ofensiva iniciada pelo marechal Haftar em abril de 2019 para conquistar Trípoli, os dois lados assinaram um cessar-fogo em outubro e retomaram o diálogo, estimulado pela ONU.

Mas a nova autoridade executiva terá o recursos para retirar o país do marasmo?

"Terá muito pouco poder no terreno. Vai custar muito exercer qualquer influência no leste da Líbia e até no oeste do país enfrentará uma forte oposição. Não é um Executivo que possa unir a Líbia", avalia Wolfram Lacher, pesquisador do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança.

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