Publicado 06 de Fevereiro de 2021 - 13h20

Por AFP

O ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) Mario Draghi encerrou neste sábado uma rodada de consultas para tentar formar um governo com maioria na Itália, do qual o líder da Liga (extrema-direita), Matteo Salvini, se declarou disposto a participar, o que gerou mal-estar em parte da classe política.

Draghi, conhecido como "Super Mario" por seu papel no resgate da zona do euro em 2012, em plena crise da dívida, foi convocado pelo presidente Sergio Mattarella após a renúncia do primeiro-ministro Giuseppe Conte, abandonado pelo partido Itália Viva, essencial para a coalizão de governo.

Draghi espera reunir partidos nos extremos do tabuleiro político em um governo de transição responsável por aplicar o plano de recuperação econômica e organizar a campanha de vacinação contra a covid-19, que já provocou mais de 90.000 mortes no país.

Draghi já tem o apoio de pequenos partidos e bancadas parlamentares, além do Partido Democrata (PD, centro-esquerda) e do Itália Viva, formação de centro que provocou a implosão do governo Conte por uma divergência sobre o plano de recuperação.

O partido do empresário e ex-chefe de Governo Silvio Berlusconi, Força Itália (FI, centro-direita), também comprometeu a apoiar Draghi.

O imprevisível Salvini, líder de um partido nacionalista, anti-imigração e eurocético, e para quem Draghi é a encarnação da elite europeia e tecnocrática, estendeu neste sábado, no entanto, a mão ao ex-presidente do BCE.

"Estamos à disposição. Somos a maior força política do país, temos uma força que deve governar (...) Ao contrário dos outros, não acreditamos que é possível avançar afirmando sempre não", declarou Salvini após um encontro com Draghi.

"Prefiro estar dentro e controlar o que o Executivo aplica", explicou.

O Movimento 5 Estrelas (M5E, antissistema), que governou o país com Salvini como ministro do Interior em 2018 e 2019, também se declarou disponível para "superar qualquer obstáculo no interesse do país".

O PD quer dar os votos de seus deputados a Draghi, mas sem entrar no governo, caso o Executivo atribua ministérios à Liga.

Como era esperado, o partido de extrema-direita Fratelli d"Italia disse não a Draghi.

Conte, apoiado até o fim pelo M5E - ao qual não pertence, mas do qual é próximo -, prometeu na quinta-feira não ser um obstáculo para Draghi, a quem desejou boa sorte.

"Sempre trabalhei pelo bem do país", afirmou o primeiro-ministro demissionário.

Draghi se reunirá na segunda-feira com as "forças sociais" - sindicatos, associações, organizações profissionais - antes de uma segunda rodada de contatos com os partidos políticos nos dias seguintes.

Para o economista de 73 anos, o desafio é colossal.

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