Publicado 06 de Fevereiro de 2021 - 12h10

Por AFP

O governo dos Estados Unidos vai retirar os rebeldes huthis do Iêmen da lista de grupos terroristas, uma designação criticada por grupos humanitários, enquanto as partes envolvidas no conflito elogiaram os esforços de paz de Washington neste país em guerra.

O secretário de Estado, Antony Blinken, anunciou na sexta-feira ao Congresso a medida, informou o Departamento de Estado.

"Notificamos formalmente o Congresso as intenções do secretário de revogar estas designações", afirmou um porta-voz do Departamento de Estado. A medida se tornará efetiva rapidamente.

Os huthis passaram a integrar a lista de organizações terroristas durante a administração de Donald Trump. As organizações humanitárias consideravam que a designação bloqueava sua ação no país.

O porta-voz do Departamento de Estado explicou que a medida é baseada exclusivamente nestas considerações.

"Esta decisão não tem nada a ver com nossa percepção dos huthis e sua conduta condenável, que inclui ataques contra civis e o sequestro de cidadãos americanos", disse a fonte.

"Estamos comprometidos a ajudar a Arábia Saudita a defender seu território contra os ataques. Nossa ação está completamente justificada pelas consequências humanitárias desta designação de último minuto feita pela administração anterior e que, desde então, as Nações Unidas e organizações humanitárias deixaram claro que aceleraria a pior crise humanitária do mundo", completou.

Grupos humanitários afirmam que não têm outra opção a não ser dialogar com os huthis, que instalaram um governo de fato em boa parte do Iêmen, incluindo a capital Sanaa, e que a designação "terrorista" colocaria estas organizações sob risco de perseguição na justiça dos Estados Unidos.

O antecessor de Blinken, Mike Pompeo, anunciou a designação poucos dias antes de deixar o governo no mês passado, destacando os vínculos dos huthis com o Irã, grande inimigo do ex-presidente Trump, e um ataque mortal no aeroporto da segunda maior cidade do Iêmen em 30 de dezembro.

A medida de sexta-feira foi anunciada um dia depois da decisão do presidente Joe Biden de acabar com o apoio americano à ofensiva liderada pelos sauditas no Iêmen, onde mais de 80% da população depende de ajuda humanitária.

As partes envolvidas no Iêmen reafirmaram a vontade de acabar com o conflito depois que Biden se comprometeu a apoiar os "esforços diplomáticos", mas uma solução não parece à vista no momento, segundo analistas.

A guerra no Iêmen começou há mais de seis anos e envolve os rebeldes huthis, apoiados pelo Irã, e as forças governamentais, respaldadas desde 2015 por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita.

Dezenas de milhares de pessoas, civis em sua maioria, morreram e milhões foram obrigadas a abandonar suas casas em consequência do conflito, que a ONU descreveu como a pior catástrofe humanitária da atualidade.

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