Publicado 05 de Fevereiro de 2021 - 19h40

Por AFP

Cerca de 200 pessoas protestaram nesta sexta-feira (5) em rejeição à violência que assola Buenaventura, o principal porto da Colômbia no Oceano Pacífico, imerso em uma disputa sangrenta entre gangues armadas.

Os manifestantes bloquearam a estrada que liga a cidade ao cais para exigir que as autoridades interrompam o confronto e atendam às necessidades desta população de maioria negra e pobre do departamento de Valle del Cauca (sudoeste).

"Nessa disputa (...) nós que somos a população civil acabamos afetados. Mas essa realidade é alimentada por jovens que não têm acesso a oportunidades (...) Essa não é a realidade que a gente merece", disse à AFP Leonard Renteria, renomado artista e ativista, no meio do protesto.

"Precisamos de uma verdadeira intervenção social", exigiu.

Desde dezembro do ano passado, Buenaventura é palco de uma disputa entre membros de uma gangue chamada La Local, que se dividiu em dois grupos conhecidos como Shotas e Espartanos, agora à beira da morte.

"Esta guerra territorial está gerando uma série de deslocamentos intra-urbanos (...), ansiedade, medo e incerteza" na população, denunciou o deputado Edwin Patiño, responsável local pela garantia dos direitos humanos.

De acordo com as autoridades locais, a cidade de cerca de 300 mil habitantes registrou 22 homicídios nos primeiros 29 dias de 2021 contra 7 no mesmo período do ano anterior. Além disso, pelo menos 652 pessoas foram deslocadas e outras 13 estão desaparecidas.

A violência não é um fenômeno novo no porto. Há pelo menos duas décadas gangues armadas lutam pela receita do tráfico de drogas, sequestro e extorsão.

Mas a violência se agravou após o acordo de paz com a guerrilha das FARC em 2016, segundo Patiño, porque o Estado não assumiu o controle dos territórios deixados pela insurgência marxista, o que facilitou a consolidação de novas organizações que disputam a supremacia do negócio da coca e maconha.

Porém, o maior problema de Buenaventura é que "a oferta de criminosos é muito maior do que a oferta de oportunidades de trabalho para crianças e adolescentes", alertou Patiño.

Apesar do distrito portuário movimentar 60% das mercadorias do país, sofre de uma pobreza que atinge 41% da sua população, majoritariamente negra (88%), de acordo com o Departamento Administrativo Nacional de Estatística.

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