Publicado 05 de Fevereiro de 2021 - 19h30

Por AFP

Dois ex-dirigentes da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), detidos desde fevereiro de 2020, foram condenados a cinco anos de prisão por vazamento de informações "sensíveis" e "sigilosas" sobre o setor aos Estados Unidos, informou o Ministério Público nesta sexta-feira (5).

"Os cidadãos Aryenis Torrealba e Alfredo Chirinos foram condenados a cinco anos de prisão pelos crimes de divulgação, reserva ou prestação de informações", diz a nota assinada pelo procurador-geral da República, Tarek William Saab.

A justiça venezuelana se baseou em depoimentos de testemunhas e provas "documentais". De acordo com a decisão, os dois ex-diretores manipulavam informações sobre os estoques de óleo combustível e o "sistema de refino, assim como as rotas dos navios que comercializavam com a PDVSA".

"Os referidos funcionários vazaram informações sensíveis e confidenciais da indústria do petróleo, o que resultou na imposição de sanções por parte do governo dos Estados Unidos, o que causou prejuízos financeiros significativos ao setor ao limitar a comercialização de seus produtos a nível internacional", disse o texto.

Washington impôs sanções contra a Venezuela e a PDVSA para tentar forçar a saída do presidente chavista Nicolás Maduro, sob cujo governo o país com as maiores reservas de petróleo do mundo mergulhou na pior crise de sua história recente, somando sete anos contínuos de recessão e inflação galopante.

As sanções americanas, em vigor desde abril de 2019, incluem a proibição de cidadãos e empresas dos EUA negociarem com a petroleira venezuelana.

A produção de petróleo da Venezuela fechou 2020 em pouco mais de 400.000 barris por dia, a menor em décadas, algo que os especialistas atribuem a anos de corrupção e má gestão na principal indústria do país.

Pressionado pelas sanções dos EUA contra a PDVSA, Maduro ordenou ao vice-presidente encarregado pela Economia, Tareck El Aissami, em fevereiro do ano passado, que liderasse uma comissão para a reestruturação da empresa.

A prisão dos ex-funcionários foi uma das primeiras ações desta comissão.

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