Publicado 05 de Fevereiro de 2021 - 19h02

Por AFP

Os habitantes da cidade indígena de San Juan Cancuc, no estado mexicano de Chiapas (sul), recusaram-se a ser imunizados com a vacina contra a covid-19, informaram as autoridades locais.

Em carta enviada às autoridades sanitárias da região, o prefeito do município, José López, garantiu que a decisão levou em consideração uma pesquisa e que os pouco mais de 24 mil moradores decidiram que não querem ser vacinados.

"Apenas duas pessoas querem receber voluntariamente a vacina", afirmou um oficial em sua carta a um representante local das autoridades sanitárias, conhecido nesta sexta-feira.

López ressaltou que no dia 28 de janeiro foi realizada uma assembleia com assistentes municipais e comissões de saúde das comunidades, onde foram explicados os benefícios e possíveis efeitos adversos do imunizante.

"Em San Juan Cancuc a campanha de vacinação contra a covid-19 não será realizada na etapa de imunização para idosos e em nenhuma outra", informou o prefeito, sem aprofundar na argumentação dos moradores.

Em comunidades como San Juan Cancuc, com população tseltal maia, muitas decisões são tomadas pelo sistema de "Usos e Costumes", ou seja, um autogoverno indígena que as autoridades civis tendem a respeitar.

Essas localidades têm seus próprios comitês de saúde e também tribunais de paz e reconciliação.

Segundo um censo de 2020 no México, 7,3 milhões de pessoas falam uma língua indígena, o principal critério para determinar a identidade desse setor da população.

O México foi o primeiro país latino-americano a aplicar a vacina contra a covid-19, no dia 24 de dezembro, seguido, no mesmo dia, do Chile e da Costa Rica.

Até agora, apenas a fórmula da empresa alemã-americana Pfizer/BioNTech foi utilizada para imunizar profissionais de saúde de todo o país e professores do estado de Campeche (sul).

O México, com 126 milhões de habitantes, registra até o momento 1.899.820 casos confirmados da doença e 162.922 mortes.

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