Publicado 05 de Fevereiro de 2021 - 17h10

Por AFP

A Virgínia, que detém o pior recorde de execuções em solo americano, deu mais um passo nesta sexta-feira(5) para se tornar o primeiro estado no ex-segregacionista sul a abolir a pena de morte.

Depois de um acalorado debate, a Câmara dos Delegados neste estado próximo a Washington, onde os democratas são a maioria, votou por 57 votos a favor e 41 contra uma lei para abolir a pena de morte.

O Senado aprovou um projeto de lei semelhante na quarta-feira, mas com uma formulação diferente. Os dois textos devem ser compatibilizados antes de serem apresentados ao governador democrata Ralph Northam, que indicou que assinará a lei.

Este é "um passo histórico em direção a um sistema de justiça mais igualitário", disse a líder democrata da Câmara, Eileen Filler-Corn.

A pena de morte é legal nos Estados Unidos, mas tem diminuído na lei e na prática na última década. Vinte e dois dos cinquenta estados já a aboliram e três (Califórnia, Oregon e Pensilvânia) têm uma moratória.

Embora não seja pioneira, a decisão da Virgínia de seguir esse caminho é significativa porque, nos últimos quatro séculos, este estado realizou mais execuções do que qualquer outro território americano, mas também porque nenhum estado do ex-confederado sul ainda deu esse passo.

Foi em seu solo, em 1608, que colonos europeus de Jamestown realizaram o que é considerada a primeira execução em solo americano de um capitão acusado de espionagem.

Desde então, a Virgínia executou 1.391 condenados, de acordo com o Centro de Informações sobre Pena de Morte (DPIC).

E nos tempos modernos (desde o restabelecimento da pena de morte pela Suprema Corte em 1976), apenas o Texas realizou mais execuções.

Além disso, a Virgínia já foi a capital dos estados confederados e o uso da pena de morte está ligado à sua história de escravidão, com uma maioria de afro-americanos entre os executados.

"Ninguém está ciente de que os estados com mais linchamentos são os que mais apoiaram a pena de morte", disse a senadora democrata negra Mamie Locke durante o debate.

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