Publicado 05 de Fevereiro de 2021 - 14h11

Por AFP

Os beligerantes no Iêmen reafirmaram sua disposição de encerrar o conflito depois que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu apoiar "esforços diplomáticos", embora uma solução pareça inatingível no momento, disseram especialistas nesta sexta-feira (5).

A guerra no Iêmen é travada entre os rebeldes huthis, apoiados pelo Irã, e as forças do governo, apoiadas desde 2015 por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita.

Milhares de pessoas, a maioria civis, morreram, e milhões tiveram que deixar suas casas em decorrência do conflito, que as Nações Unidas descreveram como a pior catástrofe humanitária da atualidade.

Em seu primeiro discurso de política externa desde sua posse, Biden pediu na quinta-feira o "fim" da guerra no Iêmen por meio dos canais diplomáticos, encerrou o apoio de seu país à coalizão e confirmou a nomeação do diplomata Timothy Lenderking, como emissário para o Iêmen.

"Esta guerra deve parar", disse Biden, anunciando que os Estados Unidos estão encerrando o "apoio" às operações ofensivas e à "venda de armas", especialmente "munições de precisão", à coalizão.

O governo iemenita, reconhecido pela comunidade internacional, comemorou esses anúncios, destacando a "importância de apoiar os esforços diplomáticos".

O Irã, inimigo declarado dos Estados Unidos e que sofreu uma campanha de "pressão máxima" do governo anterior de Donald Trump, nega ter fornecido armas aos huthis, embora não esconda seu apoio político a esses rebeldes.

Os huthis, que controlam grande parte do oeste e norte do país - incluindo a capital Sanaa - expressaram apoio a essa abordagem pela nova administração de Washington, que indicou em janeiro que reconsideraria a decisão de Trump de inscrever os rebeldes em sua lista de "organizações terroristas".

"Para realmente acabar com o conflito, devemos acabar com a agressão e o bloqueio", declarou no Twitter um porta-voz Houthi, Mohamed Abdel Salam.

Mas, na verdade, uma solução para o conflito iemenita parece quase impossível.

"A guerra não vai acabar, ninguém quer que acabe. Isso tudo é propaganda", diz Huda Ibrahim, uma mulher de 38 anos que mora na cidade portuária de Hodeida, por onde passa ajuda humanitária essencial.

"Os combates não param uma única noite", acrescentou a mulher, referindo-se ao agravamento dos combates desde meados de janeiro.

"Os anúncios de Biden ... são uma excelente primeira etapa", disse Annelle Sheline, especialista em Oriente Médio do Quincy Institute for Responsible Statecraft.

"Mas o diabo está nos detalhes. É preciso saber o que significa na prática "fim do apoio dos Estados Unidos às operações ofensivas"", acrescentou.

"Quem determina esse critério? Os sauditas, por exemplo, afirmam que seus esforços de guerra são defensivos", explica Sheline.

E os huthis dizem que seus mísseis são destinados "para a defesa do Iêmen", segundo Mohamed Abdel Salam.

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