Publicado 05 de Fevereiro de 2021 - 11h00

Por AFP

Centenas de manifestantes se reuniram nesta sexta-feira (5) diante de uma universidade de Yangon, no maior protesto registrado até o momento contra o golpe de Estado em Mianmar que derrubou esta semana o governo de Aung San Suu Kyi, enquanto o Exército continua prendendo políticos e ativistas.

"Enquanto (os militares) conservarem o poder, não vamos trabalhar. Se todos fizerem isto, o sistema vai cair", declarou à AFP Win Win Maw, professor do Departamento de História.

Os manifestantes, em sua maioria professores e alunos, fizeram a saudação com três dedos da mão levantados, um gesto de resistência, enquanto cantavam uma música que se tornou popular durante a revolta de 1988, violentamente reprimida pelo Exército birmanês.

Eles também pediram "longa vida à mãe Suu", em referêncua à líder de fato do governo deposto que, segundo seu partido, a Liga Nacional para a Democracia (LND), está em "prisão domiciliar" na capital, Naypyidaw, e com boa saúde.

Funcionários de vários ministérios interromperam temporariamente o trabalho na capital, seguindo os passos de advogados e médicos que participaram dos protestos na quinta-feira e exibiram uma fita vermelha.

Em Yangon, os moradores organizaram panelaços e buzinaços pela terceira noite consecutiva para "expulsar os demônios", os militares.

Os generais, que na segunda-feira acabaram de forma abrupta com a frágil transição democrática do país, prosseguem com as detenções, apesar das críticas internacionais.

Win Htein, 79 anos, veterano da LND, foi detido na casa de sua filha na madrugada desta sexta-feira em Yangon, informou um porta-voz do partido.

"Sei que serei detido, mas não estou preocupado. Estamos acostumados à luta pacífica", afirmou na quarta-feira à rádio francesa RFI Win Htein, que passou mais de 20 anos preso, no período em que a junta militar governou o país (1989 a 2010).

Quatro dias depois da detenção de Aung San Suu Kyi, acusada de infringir uma confusa norma comercial, quase 150 líderes políticos foram presos, de acordo com a Associação de Assistência aos Presos Políticos, uma ONG com sede em Yangon.

Os eventos em Mianmar provocaram inquietação internacional.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu na quinta-feira aos generais birmaneses, que "renunciem ao poder" sem condições, enquanto seu governo cogita adotar "sanções específicas" contra os militares golpistas.

O Conselho de Segurança da ONU expressou "profunda preocupação" e pediu a "libertação de todos os detidos".

O texto, redigido pelo Reino Unido, não condena o golpe militar, como contemplava o primeiro rascunho. China e Rússia, que têm poder de veto, foram contrários a uma condenação explícita.

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