Publicado 05 de Fevereiro de 2021 - 10h50

Por AFP

No coração da selva vietnamita, Son Doong, a maior caverna do mundo, com formações rochosas do tamanho de arranha-céus, é um modelo de ecoturismo aberto à visitação há oito anos, mas está ameaçada por projetos turísticos.

Esse labirinto subterrâneo, escavado e erodido ao longo de milhões de anos, chega a 200 metros de altura em algumas áreas, ou seja, pode conter um bloco de prédios com arranha-céus de 40 andares.

Seu interior abriga um túnel de mais de cinco quilômetros, uma barreira de calcita com 90 metros de altura - a "Grande Muralha do Vietnã" - e estalagmites e estalactites gigantescas.

Um morador local, Ho Khanh, descobriu a caverna por acaso em 1991, quando encontrou sua entrada e ouviu o som de um rio em seu interior. Estava escondida no Parque Nacional Phong Nha-Ke Bang, patrimônio da UNESCO.

Ele tentou voltar a ela, mas não conseguiu encontrar a abertura, escondida no meio de uma exuberante selva, e o lugar caiu no esquecimento por quase 20 anos.

Em 2009, Khanh e uma equipe de investigadores britânicos localizaram a entrada e, quatro anos depois, uma parte foi aberta para turistas.

Desde então, apenas uma agência de viagens, Oxalis, foi autorizada a explorá-la, para limitar o número de visitantes.

O objetivo é evitar erros cometidos em alguns locais emblemáticos do país, como a Baía de Ha Long ou as praias de Nha Trang, ameaçadas pelo turismo de massa.

Apenas algumas centenas de visitantes entram em Son Doong a cada ano. Custa cerca de 50 euros (60 dólares) por visita e 2.500 euros ($3.000) para quatro dias de exploração.

Ho Khanh, atualmente com 52 anos, explica à AFP que diz aos jovens da região que "seu principal dever é proteger o meio ambiente para que a exploração (do lugar) beneficie também nossos filhos".

O dinheiro arrecadado beneficia principalmente a população local, uma bênção nesta região pobre do centro do país.

Antes, os jovens iam ao parque nacional para cortar ilegalmente a madeira de agar, que é usada para fazer incenso. Outros caçavam civetas e porcos-espinhos, espécies ameaçadas de extinção.

"Estávamos sempre sob a ameaça dos guardas florestais (e) não fazíamos nada de bom para a natureza", diz Ho Minh Phuc, um ex-lenhador que se tornou carregador de grupos autorizados a explorar a caverna.

Entre guias, carregadores e proprietários de pequenos alojamentos turísticos, vivem cerca de 500 locais graças a Son Doong e a outras cavernas gigantescas do parque nacional.

Mas muitas ameaças permanecem, como observa a UNESCO em um relatório de 2019.

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