Publicado 05 de Fevereiro de 2021 - 10h20

Por AFP

Qual é a melhor forma de administrar uma vacina: uma ou duas doses? Com que intervalo? A ciência busca respostas enquanto a campanha de imunização contra a covid-19 avança no mundo.

Todas as vacinas autorizadas até o momento são administradas em duas doses.

As vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna, ambas com tecnologia de RNA mensageiro, foram testadas em ensaios clínicos com intervalo respectivo de 3 e 4 semanas.

Alguns países, como Dinamarca e Reino Unido, as espaçam em 6 e 12 semanas, respectivamente. Enquanto esperam doses suficientes para toda a população, as autoridades preferem vacinar nesta primeira etapa 10 pessoas com meia vacina do que 5 com uma completa.

Mas esse raciocínio provoca divisão. A FDA e a EMA, agências de medicamentos dos Estados Unidos e da Europa, desaconselham o prolongamento dos intervalos, pois não foram testados durante ensaios clínicos.

No caso da vacina de "vetor viral" da AstraZeneca, a EMA autoriza um período de 4 a 12 semanas entre as duas doses, já que isso foi testado durante os ensaios clínicos.

Os dados disponíveis mostram que "a eficácia aumenta muito significativamente após 9 semanas", ressaltou na terça-feira Daniel Floret, da Autoridade de Saúde Francesa (HAS).

Um estudo publicado na terça pela AstraZeneca e sua parceira, a Universidade de Oxford, mostra que a eficácia atinge seu ponto máximo (82%) quando as 12 semanas são atingidas.

"Não temos dados sobre vacinas de RNA, mas é possível obter uma melhor eficácia com o mesmo período de 12 semanas", assegura à AFP o Dr. Jean-Daniel Lelièvre, especialista do HAS.

Enquanto a vacina da AstraZeneca usa um único vírus - um adenovírus de chimpanzé - para combater o SARS-CoV-2, a russa Sputnik V, também baseada em vetor viral, usa dois adenovírus humanos para cada dose.

A primeira tem eficácia de 60%, segundo a EMA, e a segunda, de quase 92%.

De acordo com os pesquisadores russos que desenvolveram a Sputnik V, a diferença na composição entre as doses poderia explicar "uma resposta imunológica mais poderosa", escreveram esta semana na revista médica The Lancet.

Por outro lado, seria possível ir além e administrar uma vacina diferente da primeira na segunda dose? A Universidade de Oxford anunciou na quinta-feira o lançamento de um estudo sobre o assunto, com 820 voluntários com mais de 50 anos.

Um grupo receberá uma primeira dose da vacina Pfizer/BioNTech e uma segunda com a da AstraZeneca. A ordem para outro grupo será invertida.

Os resultados serão comparados com ensaios com voluntários que receberam duas doses da mesma vacina. E o espaçamento entre as doses, de 4 e 12 semanas, também será avaliado.

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