Publicado 05 de Fevereiro de 2021 - 10h00

Por AFP

Rússia e União Europeia (UE) prometeram nesta sexta-feira (5) buscar vias de cooperação, apesar das profundas divergências, no momento em que a relação enfrenta o "menor" nível, segundo o chefe da diplomacia europeia Josep Borrell, pela detenção do opositor russo Alexei Navalny.

"Constatamos nossa disposição de cooperar de forma pragmática quando há um interesse comum", afirmou o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, após uma reunião com Borrell em Moscou.

A visita do chefe da diplomacia da UE acaba com o congelamento dos contatos com a Rússia a nível europeu desde 2017, apesar da tensão provocada pelo caso Navalny.

Também nesta sexta-feira, o ativista anticorrupção, de 44 anos e inimigo número um do Kremlin, compareceu a um julgamento por difamação, que pode resultar em uma nova pena prisão, poucos dias depois de ter sido condenado a quase três anos de detenção em outro processo.

Sem citar o nome do opositor, o chanceler russo expressou a disposição de abordar "qualquer tema", porém responsabilizou os europeus pela tensão, "uma situação nociva que não beneficia ninguém".

Apesar das múltiplas e profundas divergências, em temas como Ucrânia, Síria ou Líbia, Rússia e UE expressaram o desejo de cooperar "quando há interesse comum", nas palavras de Lavrov.

O chefe da diplomacia europeia citou como âmbitos de cooperação "a cultura, a pesquisa, a covid-19, o clima", mas destacou que considera outros temas cruciais, como os direitos humanos ou as liberdades políticas.

A UE denunciou nos últimos meses o envenenamento de Navalny em agosto na região russa da Sibéria com um agente neurotóxico do tipo Novichok e a brutal repressão dos recentes protestos da oposição, críticas que Moscou chamou de "interferência".

Após a recusa de investigação do caso por Moscou, que nega qualquer tentativa de matar o opositor, os europeus anunciaram sanções contra autoridades russas e vários países desejam novas medidas agora pela detenção de Navalny.

O opositor considera que as autoridades desejam silenciá-lo, pois sobreviveu ao envenenamento que atribui ao presidente russo, Vladimir Putin, e aos serviços de segurança do FSB.

A detenção de Navalny em janeiro, quando retornou da Alemanha, onde se recuperou por cinco meses do envenenamento, provocou uma onda de manifestações no país.

ONGs e parte da imprensa russa, assim como países ocidentais, denunciaram a brutal repressão dos protestos, que resultaram em 10.000 detenções.

As autoridades russas ignoram as críticas da UE e do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que afirmou que a relação com Moscou vai mudar e pediu a libertação de Navalny.

"Esta é uma retórica muito agressiva e pouco construtiva", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

A luta contra a covid-19 pode, no entanto, virar um âmbito de cooperação tanto com os Estados Unidos como com a UE, afirmou o chanceler russo.

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