Publicado 05 de Fevereiro de 2021 - 8h10

Por AFP

O retorno da esquerda com Andrés Arauz ou uma guinada clara à direita com o ex-banqueiro Guillermo Lasso: o Equador elege no domingo (7) seu novo presidente em um ambiente polarizado e sob a sombra do ex-presidente socialista Rafael Correa.

Um recorde de 16 candidatos competem para suceder o presidente conservador Lenín Moreno, que entregará o poder em 24 de maio, após quatro anos de um governo que chegou ao poder com o apoio da esquerda e se despede respaldado por empresários e organismos financeiros com o FMI.

Mas Arauz, um economista de 35 anos, e Lasso, de 65, são os favoritos.

"Considerando como esquerda uma maior intervenção do Estado e como direita, mais mercado, encontramos os candidatos nos polos, a opção eleitoral se situa nos polos, não no centro, e isso é preocupante porque dá um resultado que é o da polarização política, não mais apenas eleitoral", disse à AFP o cientista político Simón Pachano.

O catedrático da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso), em Quito, acrescentou que a corrida presidencial está "exasperada, muito dura, com posições radicalmente diferentes".

Arauz, da aliança União pela Esperança (Unes, esquerda) e afilhado político de Correa, estava há uma semana à frente das intenções de voto totais, com 32%, seguido de Lasso (21%), que disputa a Presidência pela terceira vez com o movimento Creo.

Assim, parece improvável que a disputa seja definida no primeiro turno, o que exigiria que o vencedor obtivesse metade mais um dos votos válidos ou pelo menos 40% com vantagem de 10 pontos sobre o adversário mais próximo.

Haverá um "segundo turno disputadíssimo", previsto para 11 de abril, disse à AFP o diretor do instituto de pesquisas Market, Blasco Peñaherrera.

Para o cientista político Paolo Moncagatta, da privada Universidade San Francisco de Quito, o segundo turno "veria uma campanha suja, violenta, que na verdade desprestigiaria ainda mais a já desprestigiada política", que levou o Equador a ter sete presidentes entre 1996 e 2007, três deles destituídos em revoltas sociais.

Ele não descarta, no entanto, uma decisão no primeiro turno. "Sempre há uma possibilidade, sobretudo levando-se em conta um grande percentual de indecisos", disse Moncagatta à AFP.

Outro dos principais presidenciáveis é o ambientalista de esquerda Yaku Pérez, que aparece com 12% das intenções de voto e teria uma votação "considerável" para o movimento do qual se originou, mas insuficiente para ser finalista.

Os outros 13 aspirantes, entre eles a ex-membro da Assembleia Ximena Peña, única mulher na disputa e candidata do enfraquecido partido governista Aliança País (AP), aparecem muito longe, com menos de 4% e alguns até mesmo abaixo de 1%.

Estas serão as primeiras eleições gerais desde o fim do governo de Correa (2007-2017). O ex-presidente, que mora na Bélgica desde que deixou o cargo, está inabilitado para cargos públicos no Equador após ter sido condenado a oito anos de prisão por corrupção em 2019.

Seu ex-vice-presidente Jorge Glas (2013-2017) e vários de seus ex-ministros estão na prisão cumprindo penas pelo mesmo delito.

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