Publicado 04 de Fevereiro de 2021 - 20h10

Por AFP

O presidente americano, Joe Biden, encerrou nesta quinta-feira (4) o apoio à coalizão chefiada pela Arábia Saudita na guerra no Iêmen e congelou a retirada de tropas da Alemanha, enquanto afirmou que Washington não vai "se submeter" mais à Rússia, em uma ruptura com a diplomacia de Donald Trump.

Após duas semanas no poder, Biden e sua vice-presidente, Kamala Harris, foram até o Departamento de Estado para mostrar que o governo considera a diplomacia uma prioridade e para elaborar em um discurso os eixos de sua política externa.

O fim do apoio dos Estados Unidos à coalizão militar liderada pela Arábia Saudita que luta no Iêmen contra os rebeldes huthis reverte a política de Trump de dar assistência logística e vender enormes quantidades de armamento.

"Esta guerra deve acabar", disse Biden. "Para destacar nosso compromisso, estamos terminando com todo apoio americano às operações ofensivas na guerra no Iêmen, inclusive a venda de armas".

Esta guerra, iniciada em 2014, quando os rebeldes huthis - alinhados ao Irã - se insurgiram contra o governo, iniciando um conflito que resultou na pior crise humanitária do mundo.

Esta promessa de campanha de Biden é parte de uma revisão mais ampla da política americana no Oriente Médio.

Os huthis comemoraram esta mudança, que foi anunciada mais cedo pelo assessor de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, e afirmaram que esperam que seja "o primeiro passo de uma decisão para pôr fim à guerra".

O plano também revisará a inclusão dos huthis na lista de "organizações terroristas" dos Estados Unidos, outra medida tomada no apagar das luzes do governo Trump, mas criticada amplamente por ameaçar a entrega de ajuda ao Iêmen.

Em seu discurso sobre prioridades estratégicas, Biden disse que "os Estados Unidos não podem mais se permitir estar ausentes do concerto mundial".

"Os Estados Unidos estão de volta. A diplomacia está de volta", afirmou o presidente democrata.

Cumprindo outra promessa de campanha, ele anunciou que a cota anual de refugiados admitidos sob o programa de reassentamento passará de 15.000 a 125.000.

Biden prometeu, ainda, que vai se opor ao "autoritarismo" tanto da China quanto da Rússia.

"Deixei claro ao presidente [russo Vladimir] Putin, de uma maneira muito diferente à do meu antecessor, que a época em que os Estados Unidos se submeteram aos atos agressivos da Rússia (...) acabou", acrescentou.

Washington - que culpa o Kremlin por um ataque cibernético maciço e o acusa de intromissão nas eleições presidenciais americanas - endureceu rapidamente sua postura com relação a Moscou.

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