Publicado 04 de Fevereiro de 2021 - 17h10

Por AFP

A sociedade civil e os meios de comunicação da Rússia expressam cada vez mais a irritação com a dura repressão aos partidários do opositor Alexei Navalny, um tema que dominará a visita a Moscou do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

O alto funcionário europeu, que chegará a Moscou durante a noite, se reunirá na sexta-feira com o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, em um encontro que promete ser difícil, depois que o Kremlin chamou de "interferência" as recentes críticas europeias sobre a gestão do caso Navalny.

O ativista foi condenado na terça-feira a dois anos e oito meses de prisão por não ter respeitado um controle judicial que data de 2014.

Navalny, que denuncia há vários anos a corrupção das autoridades russas e se tornou o grande inimigo do presidente Vladimir Putin, acredita que o governo deseja silenciá-lo, meses depois de ter sobrevivido a um envenenamento que ele atribui ao Kremlin.

Além disso, na sexta-feira ele será julgado por outro caso, de difamação. A maioria de seus colaboradores mais próximos foi presa ou processada.

Na noite de quinta-feira, a casa de Liubov Sobol, que estava em prisão domiciliar, foi novamente invadida pela polícia, disse o marido e advogado desta aliada de Navalny no Twitter.

Na quinta-feira, o opositor pediu a seus apoiadores que "superem o medo" e libertem a Rússia "dos ladrões".

"Não se deixe enganar por essa ilusão de força", acrescentou, em mensagem postada no Instagram.

Pouco depois, Leonid Volokov, outro aliado do ativista, pediu aos apoiadores de Navalny que esperem até a primavera e o verão (boreal) para se manifestarem novamente, quando vão preparar "algo grande", como explicou em uma transmissão ao vivo pelo YouTube.

Inúmeras ONGs e veículos de imprensa denunciaram a repressão brutal às manifestações pró-Navalny de 23 e 31 de janeiro e 2 de fevereiro, que resultaram em cerca de 10.000 prisões, um recorde nos últimos anos.

Também foram relatadas as detenções de jornalistas, como a de Sergei Smirnov, editor-chefe da página Mediazona, condenado a 25 dias de prisão.

"Instamos as autoridades a cessar a violência policial e as violações massivas de direitos fundamentais", afirmaram em nota 25 personalidades de organizações de defesa dos direitos humanos.

Devido ao grande número de prisões, os centros de detenção da capital estão lotados de pessoas acusadas ou condenadas por fazer manifestações sem autorização, crime que pode ser punido com até 15 dias de confinamento.

Por falta de espaço, dezenas de pessoas foram presas em um centro de detenção para migrantes em Sakharovo, a 66 km de Moscou.

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