Publicado 04 de Fevereiro de 2021 - 16h50

Por AFP

Os generais birmaneses determinaram nesta quinta-feira (4) o bloqueio do acesso ao Facebook, um instrumento essencial de comunicação em Mianmar, três dias depois de um golpe de Estado que depôs o governo civil de Aung San Suu Kyi, enquanto continuam os apelos à resistência.

O Exército pôs fim à frágil transição democrática do país na segunda-feira, impondo o estado de emergência por um ano e detendo Aung San Suu Kyi e outros dirigentes do seu partido, a Liga Nacional pela Democracia (LND).

A líder de 75 anos, que se acredita estar em prisão domiciliar na capital, Naipyidau, segundo seu movimento, foi acusada de ter violado uma norma comercial.

Nesta quinta, centenas de partidários do exército se reuniram na capital. "Não queremos mais traidores nacionais vendidos a países estrangeiros" e "a Tatmadaw [as forças armadas] ama o povo", diziam alguns cartazes.

Não longe dali, 70 deputados da LND assinaram um "compromisso para servir ao povo" e organizaram uma sessão parlamentar simbólica para denunciar a tomada de controle do Parlamento.

Nas ruas, multiplicaram-se os sinais de resistência contra o golpe de Estado, condenado pela ONU e muitos governos ocidentais.

Em Mandalay (centro), foi celebrada uma pequena manifestação com cartazes que diziam "Protesto do povo contra o golpe de Estado militar!". Quatro pessoas foram detidas, segundo a imprensa local. A AFP não pôde confirmar esta informação com as autoridades.

O temor de represálias persiste neste país que viveu sob ditadura militar por quase 50 anos desde sua independência em 1948.

Em Yangon, a capital econômica, os moradores fizeram buzinaços e panelaços pela terceira noite consecutiva. Alguns repetiam em coro: "Viva a Mãe Suu!", em referência a Aung San Suu Kyi.

Advogados protestaram com laços vermelhos com as cores da LND e faziam saudação exibindo três dedos, um gesto de resistência adotado pelos ativistas pró-democracia em Hong Kong e na Tailândia.

Os profissionais de saúde também se somaram ao protesto.

No Facebook, uma rede social muito popular no país, foram criados grupos pedindo a "desobediência civil".

A companhia americana informou nesta quinta que alguns dos seus serviços estavam "perturbados" e exortou as autoridades a "restabelecer a conexão", declarou à AFP uma porta-voz da plataforma.

As autoridades militares já tinham emitido uma advertência à população para que não dissesse nem publicasse nada que pudesse "fomentar distúrbios ou uma situação instável".

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