Publicado 04 de Fevereiro de 2021 - 16h20

Por AFP

Os especialistas da OMS que investigam a origem da pandemia na cidade chinesa de Wuhan parecem rejeitar a teoria de que o vírus teria escapado de um laboratório na quinta-feira (4), enquanto a Cruz Vermelha lançou um plano para combater as desigualdades no acesso às vacinas.

O chefe da delegação da OMS na China, Ben Embarek, afirmou em entrevista à AFP que teve "conversas muito francas" com seus interlocutores chineses, úteis para "entender" sua posição sobre "uma série de declarações vistas e lidas na mídia".

A equipe de especialistas visitou o Instituto de Virologia de Wuhan na quarta-feira, acusado pelo ex-presidente americano Donald Trump de ter deixado o vírus escapar de um de seus laboratórios, mas nenhuma evidência foi encontrada para sustentar essa hipótese.

Todas essas conjecturas levariam a "excelentes roteiros para filmes e séries", disse Ben Embarek por telefone de Pequim, prometendo "se ater à ciência e aos fatos" para tirar uma conclusão definitiva sobre a origem da pandemia.

O regime chinês esperou mais de um ano antes de permitir tal visita, mas muitos analistas duvidam que a delegação descobrirá quaisquer pistas reveladoras após tal atraso.

Com quase 105 milhões de doses de vacinas injetadas até agora em pelo menos 82 países e territórios, a Cruz Vermelha expressou na quinta-feira o alarme sobre a falta de acesso às vacinas nos países pobres.

Segundo análise da organização, quase 70% das doses da vacina administradas até agora foram aplicadas nos 50 países mais ricos, enquanto 0,1% foram injetadas nos 50 países mais pobres.

"É alarmante porque é injusto e pode prolongar, até agravar, esta terrível pandemia", disse o secretário-geral da Federação Internacional, Jagan Chapagain, em entrevista coletiva.

Por isso, a Cruz Vermelha lançou um plano de 92,5 milhões de euros (110 milhões de dólares) para ajudar a imunizar os 500 milhões de pessoas mais vulneráveis.

Enquanto muitos países estão mobilizando recursos significativos para impedir a propagação da pandemia, a OMS na Europa expressou preocupação na quinta-feira sobre suas consequências para o tratamento do câncer, chamando seu impacto de "catastrófico".

Entre os 53 países que a OMS inclui em sua regional Europa (vários na Ásia Central), um em cada três interrompeu parcial ou totalmente seus serviços de oncologia devido à mobilização contra a pandemia e restrições de viagens.

Na Europa, o Reino Unido, criticado por vários dirigentes por usar a vacina AstraZeneca em pessoas com mais de 65 anos, defendeu-se alegando que essas críticas corriam o risco de alimentar a desconfiança em seu país e, em última instância, colocar em risco a saúde de sua população.

As autoridades de saúde em vários países europeus apontaram para a falta de dados suficientes sobre a eficácia da vacina de laboratório sueco-britânica para idosos.

Seguindo os passos da França, Alemanha e Suécia, agora foi a Noruega, Dinamarca, Islândia e Holanda que anunciaram na quinta-feira que a vacina da AstraZeneca seria reservada para menores de 65 anos.

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