Publicado 04 de Fevereiro de 2021 - 15h20

Por AFP

O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Mauricio Claver-Carone, disse nesta quinta-feira (4) que o único Plano Marshall que a América Latina pode receber para se recuperar da pandemia é um aumento de capital desta entidade regional, com uma proposta na mesa no Congresso dos Estados Unidos.

"O único Plano Marshall disponível para a América Latina é chamado de aumento de capital do BID. Esta é a realidade", disse Claver-Carone, o primeiro americano a liderar a instituição, em um colóquio virtual.

Claver-Carone lamentou que, historicamente, tanto o Partido Democrata quanto os Republicanos tenham prestado pouca atenção a esse banco de desenvolvimento com sede em Washington.

"Estou tentando criar um novo tipo de consenso bipartidário", disse o presidente do BID, que foi assessor do governo do ex-presidente republicano Donald Trump.

Sua eleição para comandar o organismo multilateral gerou polêmica na região, já que ele rompeu um pacto não escrito segundo o qual durante seus 60 anos de existência o banco sempre foi dirigido por um latino-americano.

Em dezembro, o senador democrata Bob Menéndez e seu colega republicano Marco Rubio apresentaram um projeto de lei para o representante dos Estados Unidos no banco - que é o acionista majoritário - votar a favor de um aumento de capital de 80 bilhões de dólares.

Esse projeto legislativo permitiria que a capacidade de empréstimo do banco crescesse para cerca de 20 bilhões a cada ano, montante próximo aos 21,6 bilhões emprestados em 2020, quando, devido à pandemia, houve um desembolso excepcional.

A pandemia deixou 606.045 mortos na América Latina e no Caribe e, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), neste ano o PIB da região crescerá 4,1%, após uma contração de 7,4% em 2020.

Claver-Carone disse que o BID é o credor preferencial para a América Latina, mas se a entidade não der um passo à frente e tiver os recursos disponíveis, "a região buscará alternativas".

Este advogado de 46 anos, de ascendência cubana e natural de Miami, quer que sua presidência seja um contrapeso à influência chinesa na região.

"Depende dos Estados Unidos e do Congresso dos EUA apoiar um aumento de capital para o banco", disse Claver-Carone. "Espero que tenhamos aprendido com os erros do passado", afirmou.

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