Publicado 04 de Fevereiro de 2021 - 14h40

Por AFP

As autoridades turcas voltaram a prender, nesta quinta-feira (4), várias dezenas de pessoas que se manifestavam em apoio aos estudantes que protestavam contra a nomeação de um reitor próximo ao governo, ignorando as críticas de Washington.

Segundo um fotógrafo da AFP, a polícia usou seus escudos para fazer várias pessoas voltarem, entre elas deputados da oposição que tentavam se reunir em Kadikoy, um distrito da parte asiática de Istambul, após a convocação de vários grupos de esquerda.

Ao menos 20 pessoas foram detidas e os manifestantes não puderam fazer nenhuma declaração, de acordo com a mesma fonte.

A concentração foi em apoio aos estudantes da Universidade do Bósforo de Istambul, que estão há um mês se manifestando contra a nomeação em 1o de janeiro por parte do presidente Recep Tayyip Erdogan de um reitor próximo ao seu partido.

Pelo menos 36 pessoas foram detidas em Bursa (noroeste), Canakkale (oeste) e Samsun (norte) durante as manifestações de apoio aos estudantes de Istambul, segundo um grupo de apoio e a imprensa local.

A repressão dos protestos se intensificou nesta semana. A polícia dispersou várias manifestações com gás lacrimogêneo e balas de borracha, e prendeu centenas de pessoas.

O ministério do Interior turco disse nesta quinta-feira que 528 pessoas foram detidas em relação aos protestos desde o mês passado.

Na quarta-feira, Erdogan comparou os manifestantes com "terroristas" e insultou também as pessoas LGBT após a prisão de estudantes acusados de insultar o Islã por organizar uma exposição de arte que incluía a representação de um local sagrado decorado com bandeiras do arco-íris.

Estados Unidos expressou na quarta-feira sua "preocupação" com o aumento das prisões nos últimos dias e "condenou energicamente a retórica" contra as minorias sexuais na Turquia.

Ancara, no entanto, rejeitou hoje as críticas de Washington, denunciando a "interferência em assuntos internos".

"Não cabe a ninguém (...) se intrometer nos assuntos internos da Turquia", declarou em um comunicado o ministério turco das Relações Exteriores.

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