Publicado 04 de Fevereiro de 2021 - 10h30

Por AFP

A sociedade civil e os meios de comunicação da Rússia expressam cada vez mais a irritação com a dura repressão aos partidários do opositor Alexei Navalny, um tema que dominará a visita a Moscou do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

O alto funcionário europeu, que chegará a Moscou durante a noite, se reunirá na sexta-feira com o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, em um encontro que promete ser difícil, depois que o Kremlin chamou de "interferência" as recentes críticas europeias sobre a gestão do caso Navalny.

O ativista foi condenado na terça-feira a dois anos e oito meses de prisão por não ter respeitado um controle judicial que data de 2014.

Navalny, que denuncia há vários anos a corrupção das autoridades russas e se tornou o grande inimigo do presidente Vladimir Putin, acredita que o governo deseja silenciá-lo, meses depois de ter sobrevivido a um envenenamento que ele atribui ao Kremlin.

Nesta quinta-feira, meios de comunicação e ONGs denunciaram a repressão brutal contra as pessoas que protestaram nos últimos dias em solidariedade ao opositor.

As manifestações resultaram em 10.000 detenções e atos de violência policial que dominaram as redes sociais.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou na quarta-feira que a reação da polícia era "justificada".

Parte da imprensa criticou a detenção do chefe de redação do site de notícias Mediazona por retuitar uma mensagem sobre uma manifestação não autorizada a favor de Navalny.

O jornal Kommersant denunciou em um artigo a detenção de Serguei Smirnov como uma "tentativa de intimidar os demais jornalistas" e exigiu sua libertação imediata, assim como de outros 20 profissionais de veículos nacionais e regionais.

"O fato de que era um protesto ilegal e não autorizado não justifica recorrer à força de maneira desmedida", denunciou o Kommersant, cujo proprietário é um empresário próximo ao Kremlin.

Mas as autoridades russas parecem ignorar as críticas internas e do exterior.

O porta-voz do Kremlin disse que o país está disposto a "tudo" para melhorar as relações com a União Europeia (UE), mas não a "ouvir conselhos".

Consciente dos limites de sua visita, Borrell já afirmou que não tem ilusões, mas acredita que conseguirá ver Navalny na prisão.

"Borrell não conseguirá nada, isto é certo. Putin nunca mostrará nenhum sinal de fraqueza", declarou à AFP Alexei Malashenko, analista do Instituto de Pesquisas do Diálogo entre Civilizações.

As relações entre Bruxelas e Moscou são tensas desde 2014 devido ao conflito na Ucrânia e aumentaram pelas divergências na forma de enfrentar as crises em Belarus, Síria, Líbia e no Cáucaso.

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