Publicado 03 de Fevereiro de 2021 - 22h30

Por AFP

Especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) visitaram nesta quarta-feira (3) o Instituto de Virologia de Wuhan, durante uma investigação sobre a origem do coronavírus nesta cidade chinesa.

A missão da OMS é um tema sensível para a China, que nega ser responsável pela eclosão da pandemia em 2019 e demorou mais de um ano para autorizar a visita de especialistas.

A visita ao Instituto de Virologia durou quatro horas e se tratou de um "encontro extremamente importante com o pessoal" e uma "discussão aberta e franca", disse no Twitter Peter Daszak, um dos integrantes da missão.

No entanto, Hung Nguyen-Viet, outro integrante da equipe, disse à AFP que "é muito pouco provável que durante uma missão tão curta obtenhamos respostas muito específicas ou definitivas".

Além disso, passou um ano entre o surgimento do vírus em Wuhan e muitos analistas duvidam que a missão da OMS encontre indícios reveladores do início da epidemia, que desde então deixou ao menos 2,5 milhões de mortos e 104 milhões de contagiados no mundo, segundo uma contagem da AFP.

O instituto de Wuhan conta com vários laboratórios de alta segurança, onde os pesquisadores trabalham com coronavírus, e possui a maior coleção de cepas da Ásia, com 1.500 espécimes diferentes, segundo seu site na internet.

O ex-presidente americano Donald Trump acusou a instituição de ter deixado escapar o vírus causador da covid-19, provocando a pandemia. Pequim nega taxativamente a acusação.

A China, por sua vez, destaca seu êxito em conter o avanço do vírus, assim como sua produção de vacinas, com exportações para vários países.

Até esta quarta-feira, 104,7 milhões de pessoas em 82 países e territórios tinham recebido pelo menos a primeira dose da vacina contra o coronavírus, segundo uma contagem da AFP. Os países mais ricos, apesar de abrigarem apenas 16% da população mundial, representam 65% destas doses já administradas.

Em Israel, 37% da população recebeu pelo menos uma dose da vacina desenvolvida pelos laboratórios Pfizer-BioNTech, o maior percentual do mundo.

O dispositivo Covax, da ONU, destinado a fornecer vacinas a países desfavorecidos, publicou nesta quarta-feira a lista de seus primeiros beneficiários: Índia, Nigéria, Paquistão, Indonésia, Brasil e Bangladesh serão os países que receberão mais doses, proporcionalmente à sua população.

A distribuição das vacinas será "proporcional ao tamanho da população" de cada um dos 145 países incluídos na lista do sistema Covax, disse Ann Lindstrand, especialista da OMS em vacinas, durante coletiva de imprensa em Genebra.

Na corrida mundial pela vacina, a Europa manifestou interesse nos imunizantes desenvolvidos na China e na Rússia, sob certas condições.

"Se os produtores russos e chineses abrirem seus expedientes, mostrarem transparência, todos os seus dados (...), então poderiam ter uma autorização condicional de comercialização como os demais", declarou a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, segundo fontes parlamentares.

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