Publicado 19 de Dezembro de 2020 - 13h37

Por AFP

Frustrados diante da ausência de mudança na sua vida diária, milhares de manifestantes pediram "justiça" enquanto desfilavam neste sábado (19) em várias cidades do Sudão para comemorar o segundo aniversário da revolta contra o ditador Omar Al-Bashir.

Após queimar pneus em um bairro do sul da capital, grupos de manifestantes se dirigiram até o palácio presidencial gritando "Justiça, Justiça" e "Taskout Bass" ("A queda, ponto final"), enquanto outros erguiam a bandeira sudanesa ou fotos de "mártires" que morreram nos protestos de 2019.

"O povo quer a queda do regime" foi outro lema presente na manifestação, o mesmo que levou milhares de pessoas às ruas durante a Primavera Árabe, que aconteceu há 10 anos.

Os dados de correspondentes locais da AFP corroboram que a mobilização foi de milhares de pessoas em todo o país.

O início da crise que balançou o regime e acabou com três décadas de poder tirânico de Bashar foi em 19 de dezembro de 2018.

A decisão do governo de triplicar o preço do pão levou centenas de pessoas às ruas.

O movimento se transformou rapidamente em uma revolta, que em 11 de abril de 2019 resultou na queda de Omar Al-Bashir.

O país, atualmente, é comandado por um governo (provisório) de transição, com um primeiro-ministro civil e um Conselho Soberano civil e militar.

Perto do aeroporto, os manifestantes mostraram em seu desfile um cartaz com o rosto do primeiro-ministro, Abdallah Hamdok, desenhado com uma cruz e a palavra "Erhal", (Saia!).

"Temos saído às ruas porque o governo de transição não satisfaz nossas demandas, nem no campo econômico e nem em matéria de justiça", afirmou Hani Hassan à AFP, um manifestante de 23 anos.

Apesar da recente retirada do país da lista norte-americana de países que apoiam o terrorismo, o Sudão vive uma enorme crise socioeconômica, com uma grande inflação e uma dívida equivalente a 201% do Produto Interno Bruno (PIB).

Outro motivo de insatisfação dos manifestantes é que os responsáveis pela repressão durante a revolução não foram levados a justiça.

O procurador-geral proibiu as forças de segurança de utilizar gás lacrimogêneo nas manifestações.

Depois de desfilar pela cidade, os manifestantes ficaram a 10 metros do palácio presidencial, gritando "Liberdade, Liberdade" e pedindo o retorno dos exilados aos seus lares. Não foram registrados incidentes com a polícia.

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