Publicado 19 de Dezembro de 2020 - 12h07

Por AFP

A União Europeia (UE) e o Reino Unido retomaram as árduas negociações pós-Brexit neste sábado (19) em Bruxelas para tentar chegar a um acordo a poucos dias da data limite de 31 de dezembro, com a questão da pesca no centro das disputas.

Os principais negociadores, o francês Michel Barnier e o britânico David Frost, se reunirão durante o dia, enquanto as negociações técnicas já foram retomadas, de acordo com uma fonte europeia.

Fontes de ambas as partes insistiram que os direitos de pesca são o principal obstáculo para encontrar um acordo a tempo que evite uma ruptura brutal e o retorno das tarifas e taxas para ambos os lados do Canal da Mancha.

As negociações continuam "muito bloqueadas", disse uma fonte diplomata europeia à AFP.

No centro do debate estão os 650 milhões de euros (800 milhões de dólares) em pesca capturados todo ano pelas frotas europeias em águas britânicas, e a duração do período que permitiria aos pescadores europeus se adaptarem às novas condições.

Bruxelas propôs renunciar cerca de 20% dessa quantia em um período de sete anos. Os britânicos reivindicam 60% em um prazo de adaptação de três anos, segundo fontes europeias.

"É uma questão de números agora", disse o diplomata europeu.

Barnier consultou com os países que compartilham os ricos pesqueiros britânicos para tentar encontrar uma saída, acrescentou a fonte.

O Parlamento Europeu insistiu que quer um acordo até meia-noite (20h00 de Brasília) de domingo, para analisá-lo e validá-lo e para entrar em vigor em 1o de janeiro.

No entanto, o secretário de Estado francês para os Assuntos Europeus, Clément Beaune, não descartou neste sábado que essas negociações se prolonguem para além de domingo.

Não vão "sacrificar tudo" para ser domingo à noite, disse na emissora France Inter. "Setores inteiros estão em jogo, como a pesca, como as condições de concorrência para nossas empresas", acrescentou.

Um acordo alcançado nos últimos dias de dezembro poderia entrar em vigor provisoriamente, uma opção com a qual parece que os países-membros estão de acordo, mas à qual o Parlamento se opõe.

As outras questões que bloqueiam as negociações --normas de concorrência e o futuro mecanismo de solução de controversas-- parece que estão sendo resolvidas.

A UE se nega a ter em suas portas uma economia sem regulamentação que se baseasse na concorrência desleal com suas empresas, sem respeitar as normas ambientais, sociais, fiscais ou seu rígido regime de ajudas públicas.

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