Publicado 19 de Dezembro de 2020 - 11h37

Por AFP

Está "bastante claro" que a Rússia está por trás do ataque cibernético devastador a várias agências do governo dos Estados Unidos, que afetou também alvos de todo o mundo, disse o secretário de Estado, Mike Pompeo.

A Microsoft afirmou na quinta-feira que notificou mais de 40 clientes afetados por esses programas malignos que, segundo os especialistas em segurança, permitiria aos invasores um acesso sem restrições às suas redes.

"Houve um esforço significativo para usar um programa de terceiros para introduzir essencialmente código dentro dos sistemas do governo dos Estados Unidos", disse Pompeo ao programa televisivo The Mark Levin Show.

"Acredito que agora podemos dizer que está bastante claro que foram os russos que participaram desta atividade".

Cerca de 80% dos afetados estão localizados nos Estados Unidos, afirmou o presidente da Microsoft Brad Smith em uma publicação de blog, na qual identificou também vítimas no México, Espanha, Bélgica, Reino Unido, Canadá, Israel e Emirados Árabes Unidos.

"É certo que a quantidade e localização das vítimas continuará crescendo", admitiu Smith, juntando-se aos alertas já expressados pelos funcionários americanos sobre a seriedade do ataque.

"Isso não é "espionagem como de costume", inclusive na era digital", disse o presidente da Microsoft.

"Pelo contrário, evidencia um ato de imprudência que criou uma séria vulnerabilidade tecnológica para Estados Unidos e o mundo".

John Dickson, da empresa de segurança Denim Group, disse que várias empresas do setor privado que poderiam ser vulneráveis lutam agora para reforçar sua segurança, até o ponto de considerar inclusive reconstruir seus servidores e outros equipamentos.

"Todo o mundo está fazendo agora uma avaliação de danos, porque isso é enorme", afirmou Dickson.

"É um duro golpe para a confiança tanto no governo quanto na infraestrutura crítica".

A ameaça vem de um ataque de longo prazo que, segundo se acredita, injetou programas nocivos nas redes de computadores que usavam um software para a gestão de empresas criado pela empresa de tecnologia sediada no Texas SolarWinds, e teria a marca de um ataque nacional.

James Lewis, vice-presidente do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, disse que o ataque cibernético poderia acabar sendo o pior sofrido nos Estados Unidos, acima do que afetou os registros da equipe do governo em 2014, e que na época foi visto como uma infiltração chinesa.

"A escala é esmagadora. Não sabemos o que levaram, essa é uma das tarefas da perícia", destacou Lewis.

"Também não sabemos o que deixaram. A prática comum é deixar algo para trás para poder voltar a entrar no futuro".

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