Publicado 18 de Dezembro de 2020 - 20h47

Por AFP

O chefe da nova agência anticorrupção da República Democrática do Congo (RDC) foi colocado em prisão preventiva nesta sexta-feira (18) depois que sua instituição foi acusada de ter retirado 30 mil dólares da filial congolesa de um banco da Nigéria.

O coordenador da Agência de Luta Contra a Corrupção (APLC), Gishlain Kikangala, "foi posto em prisão preventiva para fins de investigação", disse seu porta-voz, Chouna Lomponda, à AFP.

Kikangala foi convocado à promotoria na tarde desta sexta, de acordo com uma carta do Ministério Público consultada pela AFP.

A APLC foi criada por decisão presidencial em março de 2020 para "rastrear o crime financeiro" na RD Congo, país onde a corrupção é endêmica.

Após alguns meses de atuação, a APLC se vê no centro de um escândalo com a filial de um banco nigeriano, o Access Bank.

A APLC acusou o Access Bank de "lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo", "sem qualquer outra forma de julgamento", ocupando o lugar da justiça, denunciou o advogado do banco nesta quarta-feira.

Em 10 de dezembro, os agentes da APLC exigiram que o diretor-geral do Access Bank, o nigeriano Arinze Osuashala, pagasse uma fiança de 50 mil dólares após colocá-lo em prisão preventiva e retirar seu passaporte.

"Como não tinha dinheiro com ele", os oficiais do APL "o acompanharam ao banco e levaram a quantia de 30 mil dólares em troca de um recibo", contou o advogado Cibambo Amani.

Dois agentes foram com o diretor do banco sacar o dinheiro às 21h, após o horário de fechamento, segundo imagens de câmeras de segurança divulgadas nas redes sociais.

"A investigação está em andamento para esclarecer esses fatos que, se comprovados, são condenáveis e expõem seus autores ao rigor da lei", declarou a presidência.

A APLC confirmou que recebeu os 30 mil dólares e que tem o passaporte de Arinze.

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