Publicado 18 de Dezembro de 2020 - 18h47

Por AFP

Exaustos, alguns à beira das lágrimas, mais de 300 meninos dos mais de 500 sequestrados há uma semana no noroeste da Nigéria, em um ato reivindicado pelos jihadistas do Boko Haram, e libertados na véspera, reencontraram os pais nesta sexta-feira (18).

Descalços, com o rosto cheio de poeira, os meninos foram levados para a residência de Aminu Bello Masari, governador de Katsina, capital da província de mesmo nome, no nordeste do país, e após uma cerimônia de boas-vindas oferecida pelas autoridades locais, puderam, enfim, abraçar seus familiares.

"Estou feliz, muito feliz de saber que vou voltar a ver meu pai, minha mãe e meus irmãos menores", confessou um adolescente de 14 anos, sorridente, mas esgotado.

A espera foi longa, de horas. "Chorei ao vê-lo", disse à AFP Hajia Bilikis, mãe de Abdullahi Abdu-Rasaq, de 15 anos.

Os meninos, que precisaram andar por dias sob as ordens de "bandidos", como são chamados localmente, foram libertados na quinta-feira em circunstâncias ainda não esclarecidas, e levados de ônibus até a capital, Katsina.

"Vocês sofreram fisicamente, mentalmente, psicologicamente, mas saibam que nós também e seus pais ainda mais", declarou o governador, Aminu Bello Masari, aos meninos reunidos na assembleia local.

"Para esses estudantes, este episódio fará parte de sua história e de seu caminho para a idade adulta, estou certo de que se lembrarão por toda a vida", acrescentou.

O presidente nigeriano, originário de Katsina, Muhammadu Buhari, também visitou os jovens.

Do lado de fora do recinto, os pais aguardavam.

"Quando meu filho me ligou ontem e me disse "mamãe, mamãe, sou eu", eu disse "obrigada meu Deus! Obrigada meu Deus!", estava tão feliz!", conta uma mãe, cujo filho tem 18 anos.

Pouco antes, um conselheiro do presidente havia anunciado a libertação dos meninos, sem fornecer o número exato. Um conselheiro do governo local, Ibrahim Katsina, indicou que 344 alunos foram libertados.

"É um grande alívio para todo o país e a comunidade internacional", tuitou o presidente nigeriano Mahammadu Buhari.

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AFP