Publicado 18 de Dezembro de 2020 - 18h07

Por AFP

O Departamento do Tesouro americano puniu nesta sexta-feira a empresa Ex-Cle Soluciones Biométricas por seu papel nas eleições legislativas do último dia 6 na Venezuela, denunciadas por Washington como uma farsa.

A Ex-Cle C.A., subsidiária na Venezuela da empresa argentina de mesmo nome, possui contratos de milhões de dólares com o governo de Nicolás Maduro, que não é reconhecido por Washington, e outros 50 países.

No começo do mês, a Venezuela realizou eleições parlamentares boicotadas pela oposição e vencidas pelo oficialismo. "Os esforços ilegítimos do regime para roubar as eleições na Venezuela mostram seu desprezo pelas aspirações democráticas do povo venezuelano", indicou o secretario do Tesouro, Steven Mnuchin.

Segundo autoridades americanas, as máquinas de votação fizeram um trajeto complicado para chegar à Venezuela, passando por países que mantêm conflitos com o governo americano, uma vez que foram compradas na China, voaram pelo Irã e foram pagas usando o sistema financeiro russo. "Os Estados Unidos seguem comprometidos com golpear o regime de Maduro e aqueles que apoiam seus objetivos de negar ao povo da Venezuela seu desejo de ter eleições livres e justas", indicou o Departamento do Tesouro.

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, indicou que o uso por Maduro das máquinas da Ex-Cle C.A. e da empresa chinesa CEIEC - acusada de restringir a dissidência na internet - "para fraudar o processo eleitoral não deveria deixar dúvidas de que as eleições de 6 de dezembro foram fraudulentas e não refletem o desejo do povo venezuelano". Observadores internacionais apontaram irregularidades nas eleições, uma vez que Maduro controla a autoridade eleitoral.

O Departamento do Tesouro americano também impôs sanções a dois executivos da empresa - um venezuelano e um argentino com nacionalidade italiana -, o que implica o congelamento dos ativos dos mesmos nos Estados Unidos.

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