Publicado 18 de Dezembro de 2020 - 8h17

Por Estadão Conteúdo

Em transmissão ao vivo nas redes sociais na noite desta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro voltou a justificar o voto do seu indicado no Supremo Tribunal Federal, o ministro Nunes Marques, no julgamento sobre a obrigatoriedade da vacina contra a covid-19. Bolsonaro afirmou que teria votado da mesma forma que Marques e destacou que ele foi "voto vencido" na Corte.

O ministro foi favorável a Estados e municípios instituírem a obrigatoriedade da vacina, mas indicou uma série de requisitos para isso ocorrer. O presidente não escondeu o descontentamento com críticas nas redes sociais sobre a atuação de Marques. Ele chegou a se referir aos comentários que recebeu como de uma "direita burra" e "idiota".

"Vocês não sabem, não interpretam, não conseguem saber o que foi votado", criticou. Nesta quinta-feira, a maioria dos ministros do STF, por dez votos a um, entendeu que a vacinação deve ser obrigatória, mas não forçada. Pela decisão, Estados e municípios terão autonomia para decidir sobre medidas restritivas a quem optar por não se vacinar.

Bolsonaro, contudo, desacreditou a ideia. Na visão do presidente, não haverá vacina para toda a população e, por isso, não será possível aplicar medidas restritivas. "Não tem medida impositiva, zero, porque não tem vacina para todo mundo", disse. Apesar disso, Bolsonaro destacou que Marques votou para que restrições só pudessem ser impostas pelo governo federal. Para o chefe do Executivo, o Supremo tomou uma medida "antecipada" já que "nem vacina tem".

Bolsonaro também voltou a minimizar os esforços para a vacinação. Ele citou a possibilidade de efeitos colaterais e a falta de garantia sobre por quanto tempo dura a imunização.

Amantes

Bolsonaro também ressaltou o voto de Marques no julgamento que decidiu que amantes não têm direito à pensão por morte. A votação foi feita no plenário virtual e foi concluída com um placar apertado de 6 a 5. Segundo o presidente, o voto de Marques foi "decisivo".

Ele afirmou ainda que se o ex-ministro Celso de Mello ainda estivesse atuando, o placar teria sido diferente e favorável aos direitos de amantes. Na "live", Bolsonaro também ponderou, contudo, que Marques tem "autonomia" e pode eventualmente votar diferente da sua visão.

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