Publicado 18 de Dezembro de 2020 - 7h27

Por Estadão Conteúdo

Margareth Menezes estava tranquila em seu canto, quando foi pega por um convite que a faria sair da zona de conforto. O desafio para a cantora baiana era protagonizar o seriado A Casa da Vó, dirigido por Licínio Januário. Mais que isso, que o programa será aquele que inaugurará a plataforma de streaming Wolo, que entra em operação no dia 25 e nasceu com o objetivo de colocar em cena e fora dela profissionais negros.

Ao Estadão, Margareth revela que foi uma surpresa muito boa ter sido convidada para essa sitcom, pois propiciou que ela entrasse nesse mundo da dramaturgia e ainda pudesse dividir cena com jovens talentos, em sua quase totalidade, negros. "Achei muito legal porque não temos isso de mostrar a dinâmica da família afro-brasileira, de maneira bem colocada, com todas as coisas que fazem parte desse contexto de vida", afirmou a cantora-atriz, que interpreta Teresa, uma ex-funcionária pública, que agora tem um salão de cabeleireiro. Ela explica que o enredo do programa traz essa família, que tem um padrão de vida estável, mostrando o dia a dia de todos os integrantes com muito bom humor. Na trama, a personagem central, a avó Teresa, é uma mulher casada, que já tem uma profissão legal e que passa para seus netos suas conquistas, dando força para que consigam uma colocação coerente com as capacidades profissionais de cada um. "Ao mesmo tempo", conta Margareth, "é uma comédia maluca, porque um neto era da Bahia, outro do Rio, outro de São Paulo, então essa galera, quando se encontra nessa casa, é um Deus do céu", diverte-se.

Ela ainda destaca os momentos em que entra em cena o amigo da família, Bruno (Cadu Libonati), um menino branco que adora a família e fica dentro dizendo que era neto dela também. "Ele é querido por todos e se acha da família mesmo, é totalmente sem noção, vive entrando na conversa dos outros, nas discussões", conta Margareth, aos risos, só de relatar as situações vividas em cena.

A baiana destaca os cuidados que foram tomados com todos durante as gravações por causa da pandemia. "A gente fazia o teste de covid toda segunda-feira, ensaiava com a máscara e, na hora de gravar, vinha uma pessoa da produção recolhendo nossas máscaras, que eram devolvidas no final - e também usamos álcool em gel. Foi um cuidado rigoroso, mas valeu a pena, não tivemos um caso de covid no elenco." Estavam com ela em cena Dum Ice, Johnny Kleiin, Jessica Cores, Dj Pelé, Sol Menezzes, Kiara Felippe, Jacy Lima, Cadu Libonati, Diego Becker e o rapper Rincon Sapiência.

"Um movimento heroico", define Margareth sobre como foi a saga para o ator e diretor Licínio Januário e Leandro Lemos, da área de tecnologia, conseguirem lançar a Wolo. Ela constata que foi "flagrante a falta de interesse nas coisas que trazem o conteúdo afro por parte das marcas". Indignada, ela afirma ainda que foi muito complicado para os responsáveis conseguirem colocar no ar uma plataforma dessas. "Não é possível que um projeto novo, de qualidade, que trata os mais variados assuntos de forma inteligente, não encontre empresas que queiram patrocinar."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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