Publicado 17 de Dezembro de 2020 - 22h47

Por AFP

O Brasil registrou nesta quinta-feira (17) 1.092 mortes por covid-19, superando, pela primeira vez desde 30 de setembro, a barreira de mil óbitos em 24 horas, segundo um balanço oficial.

O total de mortes desde o início da pandemia no país é de 184.827, superado no mundo somente pelos Estados Unidos. Nas últimas 24 horas houve também 69.826 novas infecções, segundo maior balanço diário após o recorde registrado na quarta-feira (70.574).

Mais de 7,1 milhões de pessoas contraíram o vírus no Brasil, de 211,8 milhões de habitantes, que desde novembro vem sofrendo um aumento das contaminações. O dado preocupa os especialistas nas vésperas das festas de fim de ano, quando é esperado um maior fluxo de pessoas nas várias regiões do país.

Na última semana faleceram, em média, 723 pessoas por dia. Desde junho até meados de agosto, o país manteve uma média de quase mil mortes por dia, um número que caiu para pouco mais de 300 em novembro antes de voltar a subir e alcançar o nível atual.

O Rio de Janeiro, com 17 milhões de habitantes, é o estado com a maior taxa de mortalidade: 140 falecimentos para cada 100.000 habitantes, contra 88 em todo o resto do país e 97 em São Paulo, o estado mais povoado.

Autoridades locais suspenderam as comemorações de fim de ano na praia de Copacabana e os desfiles das escolas de samba durante o carnaval, à espera de uma vacina que permita voltar a celebrar estas festas, caracterizadas precisamente pelas aglomerações.

O Supremo Tribunal Federal autorizou nesta quinta o Executivo, governadores e prefeitos a estabelecerem como obrigatória a vacina contra o novo coronavírus, na contração da imunização voluntária, defendida pelo presidente Jair Bolsonaro.

Dez dos 11 ministros do STF determinaram que estas autoridades podem tornar obrigatória a vacinação por "vias indiretas", mediante a aprovação de uma lei que estabeleça restrições a quem não quiser se imunizar, como a proibição de frequentar determinados espaços públicos.

Os juízes esclareceram que a decisão não implica uma vacinação forçada, mas a medida representou um duro revés do Supremo contra um presidente cético sobre a gravidade da pandemia.

Bolsonaro, que contraiu a covid-19 em julho e se recuperou após 20 dias de repouso, disse em várias oportunidades que não se vacinará, e continua semeando dúvidas sobre a segurança dos imunizantes, enquanto afirma que o governo irá disponibilizar a vacina a todos que desejarem tomá-la.

"Se o cara não quer ser tratado, que não seja. Eu não quero fazer uma quimioterapia e vou morrer, o problema é meu, pô", disse o presidente nesta quinta durante um evento em Porto Seguro, sul da Bahia. "O idiota que está dizendo que eu dou um péssimo exemplo: eu já tive o vírus, eu já tenho anticorpos, pra que tomar vacina de novo?", acrescentou.

A porcentagem de brasileiros dispostos a se vacinar caiu de 89% em agosto para 73% em dezembro, segundo pesquisa Datafolha.

Bolsonaro tentou minimizar a importância da decisão do STF afirmando que o governo federal não irá determinar nenhuma medida restritiva, e que tampouco acredita que os governadores irão seguir por esse caminho. "Com todo o respeito ao Supremo, tomou uma medida antecipada, nem vacina tem", declarou o presidente, durante sua transmissão semanal ao vivo pelas redes sociais.

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