Publicado 17 de Dezembro de 2020 - 19h47

Por AFP

A Justiça fluminense determinou nesta quinta-feira (17) o fechamento de praias, hotéis e restaurantes no paradisíaco balneário de Búzios, a 170 km do Rio de Janeiro, e deu 72 horas para os turistas saírem da cidade, que vive um novo surto de casos por coronavírus.

A medida gerou protestos entre dezenas de comerciantes e operadoras de turismo locais, que temem os efeitos de uma nova estagnação nas atividades.

"A Prefeitura não ampliou o número de leitos hospitalares em Unidade de Terapia Intensiva (UTI)" como prometido, então há "alto risco de colapso da rede de saúde e necessidade de completo isolamento social", escreveu o juiz Raphael Campos em sua decisão.

"Os casos confirmados de "COVID-19 na cidade aumentaram em 453 em sete dias, com os mesmos onze leitos de UTI alegadamente disponíveis", acrescentou o magistrado.

A Prefeitura informou em nota que cumprirá a ordem, que entra em vigor imediatamente e é válida até o final de dezembro, enquanto tenta revertê-la em outras instâncias judiciais.

Segundo dados do Ministério da Saúde, há uma curva ascendente de casos há uma semana, com mais de 100 pela primeira vez desde junho da última quarta-feira, 10 de dezembro.

Dezenas de trabalhadores do setor comercial protestaram em frente ao tribunal com cartazes dizendo "Lockdown não" ou "Búzios não fecha", segundo a imprensa local.

O novo ministro do Turismo, Gilson Machado, também criticou a medida: "O "trade" (negócio) não aguenta uma decretação de um novo lockdown", disse ao tomar posse esta manhã.

Búzios, uma península com praias de águas cristalinas, ficou famosa na década de 1960 com a visita da atriz francesa Brigitte Bardot e hoje possui inúmeros hotéis de luxo e um centro gastronômico que movimentam a economia de cerca de 30 mil habitantes.

O Brasil teve um aumento no número de casos de coronavírus desde novembro, e na quarta-feira registrou 70.500 novos casos, de um total de 7 milhões de pessoas que foram infectadas e 183.735 mortes notificadas desde o início da pandemia.

O Rio de Janeiro, com 17 milhões de habitantes, é o estado com maior taxa de mortalidade do país pela covid-19: 140 por 100.000 habitantes, contra 87 em todo o país ou 96 em São Paulo, o estado mais populoso.

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