Publicado 17 de Dezembro de 2020 - 17h57

Por AFP

O marroquino Ayoub El Khazzani, que tentou realizar um ataque com uma kalashnikov em um trem de alta velocidade francês no trajeto entre Amsterdã e Paris em agosto de 2015, foi condenado à prisão perpétua nesta quinta-feira (17) por um tribunal francês.

Três homens acusados de ajudar o agressor e o coordenador do atentado, Abdelhamid Abaaoud, foram condenados a penas entre 7 e 27 anos de prisão.

Em 21 de agosto de 2015, Ayoub El Khazzani embarcou em um trem na estação de Bruxelas, na Bélgica, armado com uma kalashnikov, uma pistola, uma faca e 300 munições. Foi contido por um grupo de passageiros, dois dos quais eram soldados americanos que estavam de férias, vestidos à paisana.

Eles se lançaram sobre ele, impedindo-o de matar "indiscriminadamente e com indiferença a todos os passageiros", declarou o tribunal em sua decisão, a pedido do Ministério Público.

Segundo o presidente da corte, Franck Zientara, El Khazzani teria cometido "um atentado indiscriminado" que teria sido "particularmente mortal" se não tivesse havido "uma sequência de circunstâncias particularmente improváveis" (suas munições eram defeituosas) e sem "a coragem excepcional dos passageiros".

Quando o veredicto foi anunciado, Ayoub El Khazzani, de 31 anos, vestindo camisa xadrez e cabelos presos, permaneceu de pé, imóvel e sem manifestar qualquer emoção.

A sentença foi proferida um dia depois que uma corte de Paris condenou 13 cúmplices dos atacantes jihadistas que executaram massacres na sede do semanário Charlie Hebdo e em um supermercado kosher no leste de Paris em janeiro de 2015.

Ao contrário de El Khazzani, que foi contido imediatamente, os indivíduos que atacaram a redação do Charlie Hebdo foram mortos depois do massacre, e por isso apenas seus cúmplices foram levados a julgamento.

El Khazzani foi rapidamente contido pelos passageiros quando saiu, com o torso nu e fortemente armado, de um dos vagões do trem.

"Lamento, do fundo do meu coração", disse El Khazzani, chorando, ao tribunal em suas alegações finais. "O que eu fiz me destroça, faz meu sangue gelar".

O acusado alegou que apesar de estar armado até os dentes, com uma AK-47 automática e 300 munições, tinha desistido de levar adiante seu plano em cima da hora porque não conseguia matar as pessoas.

No entanto, a promotoria sustentou que o massacre só pôde ser evitado porque as munições eram defeituosas e pela intervenção dos passageiros.

O trem levava 150 pessoas. Entre os passageiros que intervieram para evitar o massacre estavam três militares americanos de férias na Europa, dois deles à paisana: Spencer Stone e Aleksander Skarlatos.

"Não me sinto como um herói porque simplesmente fizemos o que tínhamos que fazer para sobreviver", disse Skarlatos após depor no julgamento.

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