Publicado 17 de Dezembro de 2020 - 16h07

Por AFP

O mercado de trabalho na América Latina e no Caribe iniciará 2021 em péssimo estado, com uma taxa de desemprego sem precedentes de mais de 10%. A razão é a pandemia, que causou 30 milhões de perdas de empregos em 2020, informou a Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesta quinta-feira (17).

"O Panorama Laboral 2020 registra um forte aumento na taxa de desemprego, que subiria até 2,5 pontos percentuais em relação ao ano anterior, passando de 8,1% para 10,6%", afirma a OIT em seu relatório anual regional sobre o emprego.

"Isso significaria que o número de pessoas que procuram emprego e não acham aumenta em 5,4 milhões e chega a 30,1 milhões", devido ao impacto da covid-19, aponta a OIT, cujo escritório para a América Latina e o Caribe fica em Lima.

O futuro também não parece muito otimista: em 2021 a taxa de desemprego pode voltar a subir e alcançar 11,2%, alertou a entidade das Nações Unidas. Estima-se que o crescimento econômico moderado, projetado em 3,5%, seja insuficiente para recuperar o terreno perdido na crise.

A incerteza sobre a evolução da pandemia com a possibilidade de novas infecções e uma segunda onda, além dos processos de vacinação que só chegariam à região em 2021, fazem crescer os piores sinais desses indicadores.

"O emprego está em um leito de UTI, devemos tomar as medidas necessárias para sair dessa com a saúde, a prosperidade e o crescimento sustentável do emprego", declarou o diretor regional da OIT, Vinicius Pinheiro, durante coletiva de imprensa virtual em Lima sobre o relatório.

"Agora é essencial alcançar o crescimento econômico com emprego. O emprego é crucial para reduzir a pobreza e enfrentar a ampliação das desigualdades que esta pandemia está deixando como consequência", acrescentou o diretor da organização.

"A região foi duramente atingida por esta crise, mais ainda do que outras no mundo", reiterou Pinheiro. O chefe da OIT atribuiu esse revés "em grande parte aos problemas estruturais que já existiam e conhecíamos", incluindo a elevada desigualdade social e a alta informalidade.

Em 28 de janeiro, antes que a crise do coronavírus atingisse a região, a OIT havia informado que mais de 25 milhões de latino-americanos e caribenhos estavam desempregados, e o número certamente aumentaria em 2020 devido ao fraco crescimento das economias.

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