Publicado 17 de Dezembro de 2020 - 16h07

Por AFP

Cientistas americanos se reúnem nesta quinta-feira (17) para decidir sobre a aprovação da vacina da covid-19 da empresa americana Moderna, que pode abrir caminho para seu uso nos Estados Unidos já na próxima semana.

A reunião acontece depois que a vacina da Pfizer-BioNTech recebeu autorização de uso emergencial pelas autoridades americanas, o que permitiu a aplicação dos primeiros três milhões de vacinas esta semana no país, o mais afetado no mundo pela pandemia.

A reunião desta quinta-feira será transmitida ao vivo para o público e terminará com uma votação no início da noite por cerca de 20 cientistas independentes e representantes da indústria farmacêutica.

Se os membros dessa comissão votarem a favor, como é esperado, a Food and Drug Administration (FDA) deverá aprovar a vacina logo depois, tornando os Estados Unidos o primeiro país a aprovar o produto da Moderna.

A pequena empresa de biotecnologia sediada em Massachusetts fez parceria com cientistas do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos para desenvolver a vacina. Os trabalhos começaram em janeiro, logo após a China compartilhar o genoma do vírus SARS-CoV-2.

A Moderna recebeu mais de US$ 2,5 bilhões do governo dos Estados Unidos para este projeto e prometeu entregar seis milhões de doses em uma primeira fase.

De acordo com testes clínicos com 30.400 voluntários, a vacina da Moderna é 94,1% eficaz na prevenção da covid-19 em comparação ao placebo, com desempenho ligeiramente melhor em adultos jovens em comparação com idosos.

A FDA não encontrou "problemas de segurança específicos que impediriam a emissão de uma autorização de uso de emergência" após revisar todos os dados disponíveis.

Mas na quinta-feira, Doran Fink, um funcionário da FDA, disse que se fosse concedida essa autorização, ela seria acompanhada por um aviso sobre possíveis reações alérgicas.

As instalações onde ambas as vacinas são administradas devem assegurar que tratamentos médicos estejam disponíveis para reações alérgicas graves.

Isso ocorre depois que dois profissionais de saúde no Alasca e dois na Grã-Bretanha tiveram tais reações à vacina Pfizer-BioNTech.

Steven Goodman, um cientista da Universidade de Stanford, criticou os planos da Moderna de agora vacinar os participantes do ensaio que receberam o placebo, ainda antes do previsto para seu grupo demográfico.

Isso privaria o ensaio de um grupo de controle e reduziria a qualidade dos dados que poderiam ser extraídos dele, além de abrir um precedente ruim para ensaios futuros, ressaltou.

Mas Tal Zaks, diretor médico da Moderna, defendeu a proposta.

"Nenhum dos participantes de nosso estudo "estaria pulando sua vez", porque temos suprimentos para estudos clínicos e se não forem usados eles expirarão e serão jogados no lixo", defendeu Zaks, acrescentando que muitos voluntários correm alto risco.

Escrito por:

AFP