Publicado 17 de Dezembro de 2020 - 11h37

Por AFP

As restrições impostas pelo novo coronavírus afundaram a economia mundial, mas o setor estético no Brasil - líder em cirurgias plásticas - ultrapassou o abismo graças ao desejo de muitas pessoas de aproveitar a quarentena para melhorar a aparência.

Regiane de Oliveira Sousa é uma delas. "Um dos motivos foi aproveitar o "home office" para fazer a cirurgia" sem ter que ir ao escritório neste período, conta a representante comercial de 38 anos, que nos últimos seis meses fez um peeling, uma redução de mamas, uma lipoescultura e uma harmonização facial.

Sousa, que fez a primeira cirurgia plástica há 14 anos, decidiu agora injetar ácido hialurônico nos lábios porque percebe mais o seu rosto na falta de uma "rotina agitada".

A operação, em uma clínica de estética em um bairro nobre de São Paulo, custou-lhe R$ 3.800, quase quatro vezes o salário mínimo no Brasil.

"Em casa, tenho tempo de sobra para me olhar no espelho", explica ela, afirmando que muitas de suas amigas fizeram o mesmo.

Sua médica, Cintia Rios, lembra que este ano os quatro procedimentos estéticos mais populares - mamoplastia, lipoescultura, botox e preenchimentos - "aumentaram em torno de 40%", apesar de não terem ocorrido entre março e maio devido à quarentena decretada após o início da pandemia da covid-19.

"Aumentei a equipe, contratei mais três funcionários. A beleza não está em crise, graças a Deus!", comenta.

A especialista se surpreendeu com a forte demanda por correção de orelhas, uma intervenção geralmente realizada em crianças.

"Acho que é porque você prende a máscara e passa a olhar para as orelhas", diz.

Mas também há um boom de estética labial, em um momento de aumento da quantidade de videoconferências.

"Parecia que o mundo ia acabar", lembra Thiago Aragaki, dentista de uma pequena clínica odontológica na Zona Leste da maior cidade sul-americana.

"Em junho retornamos, com segurança, com os protocolos. Teve paciente que sumiu com medo de pegar doenças bucais [que afetam a imunidade], mas notamos um aumento da procura por alguns tratamentos", afirma Aragaki, que alterna o consultório odontológico com harmonização facial.

Para Rita Monteiro Meireles, o avanço da pandemia que já deixou quase 184 mil mortos no Brasil não a impediu de recorrer às agulhas.

"Não acredito que todo mundo esteja infectado e não podemos parar a vida por causa de uma doença", argumenta, enquanto aguarda o efeito da anestesia para passar por um procedimento labial semelhante ao de Regiane Sousa.

Impedida de sair ou viajar, Meireles, de 34 anos, viu na pandemia uma oportunidade de usar o dinheiro economizado para acelerar o processo de transformação física que começou há três anos, após se divorciar.

"Não gostava do meu rosto do jeito que estava. E depois, assim que terminou a bichectomia eu era a pessoa mais feliz da vida", acrescenta Meireles, sorrindo, que já fez cirurgia nos seios, enquanto aprecia no espelho sua nova boca, ainda inchada e vermelha.

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