Publicado 17 de Dezembro de 2020 - 10h18

Por Estadão Conteúdo

Em meio a reavaliações dos impactos da pandemia do novo coronavírus sobre a economia brasileira, o Banco Central atualizou nesta quinta-feira, 17, sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. A expectativa para a economia este ano passou de queda de 5,0% para retração de 4,4%. A nova estimativa consta no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado nesta manhã.

Entre os componentes do PIB para 2020, o BC alterou de +1,3% para +2,3% a projeção para a agropecuária. No caso da indústria, a estimativa passou de -4,7% para -3,6% e, para o setor de serviços, de -5,2% para -4,8%.

Do lado da demanda, o BC alterou a estimativa do consumo das famílias de -4,6% para -6,0%. No caso do consumo do governo, o porcentual projetado foi de -4,2% para -4,8%.

O documento agora divulgado indica ainda que a projeção de 2020 para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) - indicador que mede o volume de investimento produtivo na economia - foi de -6,6% para -4,4%. Todas as estimativas anteriores constavam do RTI divulgado em setembro.

O Banco Central também atualizou, no RTI, sua projeção para o PIB em 2021. A expectativa para a economia no próximo ano passou de alta de 3,9% para elevação de 3,8%. Entre os componentes do PIB para 2021, o BC alterou de +3,4% para +2,1% a projeção para a agropecuária. No caso da indústria, a estimativa passou de +4,5% para +5,1% e, para o setor de serviços, de +3,7% para +3,8%.

Do lado da demanda, o BC alterou a estimativa do consumo das famílias de +5,1% para +3,2%. No caso do consumo do governo, o porcentual projetado foi de +3,8% para +3,1%.

O documento do BC indica ainda que a projeção de 2021 para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) foi de +3,9% para +3,5%. Todas as estimativas anteriores constavam do RTI divulgado em setembro.

Déficit em c/c

Os efeitos da pandemia do novo coronavírus na economia fizeram o BC atualizar, por meio do RTI, suas projeções para o balanço de pagamentos em 2020. A projeção para o déficit em transações correntes do País foi de US$ 10,2 bilhões para US$ 7 bilhões. A estimativa anterior constou no RTI de setembro. Já a projeção para o Investimento Direto no País (IDP) em 2020 foi de US$ 50,0 bilhões para US$ 36 bilhões.

Desde o início da crise gerada pela pandemia, o Brasil tem registrado um recuo nas importações de produtos. Já as exportações têm apresentado resultados consistentes, principalmente em função das vendas de produtos agrícolas para outros países. O resultado é o saldo positivo da balança comercial, que favorece o resultado da conta corrente. As mudanças de hoje nas projeções do balanço de pagamentos refletem este cenário.

Conforme o RTI publicado hoje, a estimativa para o investimento de estrangeiros em ações de empresas brasileiras em 2020 - incluindo papéis negociados no País e no exterior - passou de saldo negativo de US$ 16,5 bilhões para saldo negativo de US$ 9 bilhões.

No caso dos títulos de renda fixa negociados no País, a projeção do BC foi de saldo negativo de US$ 16,5 bilhões para saldo negativo de US$ 4 bilhões.

O BC informou ainda que sua estimativa para a taxa de rolagem de compromissos de empresas no exterior em 2020 foi de 95,3% para 85%.

No RTI, o BC atualizou também suas projeções para o balanço de pagamentos em 2021. A projeção para o déficit em transações correntes do País foi de US$ 16,7 bilhões para US$ 19 bilhões. A estimativa anterior constou no RTI de setembro.

Já a projeção para o Investimento Direto no País (IDP) no próximo ano foi de US$ 65,2 bilhões para US$ 60 bilhões. O BC informou ainda que sua estimativa para a taxa de rolagem de compromissos de empresas no exterior em 2021 seguiu em 100%.

No RTI agora publicado, o BC não divulgou estimativas para o investimento de estrangeiros em ações de empresas brasileiras em 2021 - incluindo papéis negociados no País e no exterior, nem para os títulos de renda fixa negociados no País.

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