Publicado 16 de Dezembro de 2020 - 19h27

Por AFP

O Facebook lançou nesta quarta-feira uma forte ofensiva contra a Apple, que acusa de prejudicar os pequenos negócios com suas novas medidas de transparência sobre coleta de dados pessoais.

O grupo dirigido por Mark Zuckerberg publicou um anúncio de página inteira em vários jornais americanos importantes, incluindo o "The New York Times", "The Washington Post" e "The Wall Street Journal", e colocou no ar um site com depoimentos de pequenos comerciantes.

No início da semana, durante uma atualização do sistema iOS, a Apple anunciou o reforço de suas políticas para os desenvolvedores que desejam oferecer seus aplicativos para download na App Store. Agora, os desenvolvedores precisam fornecer informações detalhadas sobre como coletam e utilizam os dados fornecidos pelos usuários. Tais detalhes sobre os dados coletados pelo app do Facebook são particularmente grandes.

"As novas regras para o iOS 14 (sistema operacional móvel) da Apple terão um impacto negativo para muitas pequenas empresas que lutam para se manter e para a Internet livre, na qual todos confiamos mais do que nunca", escreveu Dan Levy, vice-presidente de publicidade e produtos comerciais do Facebook, em uma publicação no blog.

A Apple usou o argumento da transparência para defender as mudanças, que foram divulgadas desde junho e fazem parte de uma ampla política da empresa sobre gestão de dados.

A funcionalidade ATT (App Tracking Transparency), que será implementada em larga escala no início de 2021, força os aplicativos móveis a pedir autorização aos usuários para obter seus dados, uma resposta às demandas persistentes de vários grupos de defesa do consumidor.

O Facebook, que já afirmou publicamente ser contra a ATT, acredita que a Apple está muito mais interessada em ganhos financeiros do que em privacidade, limitando significativamente a capacidade dos desenvolvedores de veicular anúncios direcionados. Esses conteúdos também são importantes fontes de receita para a empresa de Mark Zuckerberg.

"Isso forçará as empresas a adotarem modelos de assinatura e de compras dentro do aplicativo, o que significa que a Apple se beneficiará e muitos serviços gratuitos terão que se tornar pagos ou sair do mercado", afirmou Levy, que acusa a Apple de prática anticompetitiva "ao usar seu controle da App Store para inflar seu balanço às custas de desenvolvedores de aplicativos e pequenas empresas".

O Facebook divulgou nesta quarta-feira depoimentos por telefone de pequenos comerciantes norte-americanos explicando como a mudança nos critérios para anúncios direcionados pode afetar a sua atividade.

Outro ponto de conflito entre as duas gigantes da tecnologia é que a fabricante do iPhone cobra uma comissão de até 30% sobre as transações feitas pelos consumidores por meio de sua loja de apps.

O valor dessa taxa é objeto de uma disputa entre a Apple e a Epic Games, editora do popular jogo Fortnite, cujo download em aparelhos da Apple está proibido até o verão de 2021.

Em seu artigo, Levy indica que o Facebook levará à Justiça elementos para mostrar que essa proibição afeta a receita publicitária da rede social.

Durante reunião de cúpula em Bruxelas na semana passada, o vice-presidente de engenharia de software da Apple, Craig Federighi, antecipou reações negativas às novas medidas de transparência, chamando-as de "tentativas descaradas de manter o status quo sobre a invasão de privacidade".

A Apple não divulgou qualquer reação oficial às críticas do Facebook. Mas durante reunião de cúpula em Bruxelas na semana passada, o vice-presidente de engenharia de software da Apple, Craig Federighi, antecipou reações negativas às novas medidas de transparência.

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