Publicado 16 de Dezembro de 2020 - 18h07

Por Estadão Conteúdo

A Associação dos Diplomatas Brasileiros (ADB/Sindical) criticou a rejeição do Senado à indicação do embaixador Fabio Mendes Marzano para o cargo de representante brasileiro junto à Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra, na Suíça. O nome foi rejeitado por senadores em derrota do governo e do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que enfrenta pressão no cargo.

O placar final foi 37 votos contra Marzano. O ex-aliado de Bolsonaro e líder do PSL, Major Olímpio (SP), conclamou os senadores a mandarem Araújo 'para o inferno'. Somente nove parlamentares votaram a favor do embaixador, nome de confiança do chanceler.

A reprovação é resultado de indisposição de Marzano com a senadora Kátia Abreu (PP-TO), que o questionou sobre o uso do desmatamento na Amazônia como pretexto por países europeus para barrar o acordo Mercosul-União Europeia. O embaixador se recursou a responder a pergunta, afirmando que não o tema não era de sua alçada.

Para a ADB/Sindical, Marzano atuou com o 'cuidado e profissionalismo'. "Teria negligenciado ambos, caso respondesse a temas não pertinentes à sua atual e futura competência", frisam a associação. "Um diplomata opina e se manifesta sobre os temas sobre os quais tem responsabilidade, na qualidade de representante, negociador e profissional capacitado para colher e difundir informações da mais alta qualidade".

A entidade diz 'lamentar' a rejeição do nome de Marzano, que elogiam por trabalho no processo de assistência e repatriação de brasileiros moradores e viajantes afetados pela pandemia no exterior.

A rejeição de um indicado diplomático é fato raro e costuma indicar problemas na articulação política do governo. Na história do País, houve outros três casos. O mais recente ocorreu em 2015, quando a então presidente Dilma Rousseff indicou o embaixador Guilherme Patriota para a Organização dos Estados Americanos (OEA). O nome foi derrubado em um placar apertado de 38 contra 37.

Antes, em 1961, o Senado rejeitou um indicado de Jânio Quadros. Era o industrial José Ermínio de Moraes, da Votorantim, que assumiria como embaixador em Bonn, na então Alemanha Ocidental. Em 1984, o general João Batista Figueiredo também sofreu revés: o ex-ministro de Minas e Energia e ex-presidente da Pretrobrás Shigeaki Ueki foi rejeitado para Bruxelas, onde representaria o País perante a então Comunidade Económica Europeia, precursora da União Europeia.

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