Publicado 16 de Dezembro de 2020 - 16h47

Por AFP

Os signatários do acordo sobre o programa nuclear iraniano se reuniram nesta quarta-feira (16) para tentar acalmar as tensões, enquanto esperam a posse do novo governo dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que o Irã ignora cada vez mais seus compromissos.

Inicialmente agendado para acontecer em Viena, este encontro foi realizado por videoconferência, devido à pandemia da covid-19. Durou cerca de duas horas, com a intervenção de representantes de China, França, Alemanha, Rússia, Reino Unido e Irã.

A declaração final foi lacônica. "Diante dos desafios atuais, os participantes discutiram os passos para preservar o acordo e a forma de garantir a sua plena e eficaz implementação para todas as partes", afirmou a representante diplomática da União Europeia, Helga Schmid, que presidiu ao encontro.

O embaixador russo Mikhail Ulyanov, por sua vez, lembrou o "firme compromisso" dos países com este pacto denominado JCPoA, firmado em 2015 em Viena.

O pacto está em um beco sem saída desde a retirada dos Estados Unidos, em 2018. E, em novembro, o físico nuclear iraniano, Mohsen Fakhrizadeh, considerado o chefe do programa, foi assassinado.

Ulyanov anunciou que os ministros das Relações Exteriores dos países envolvidos realizarão uma "reunião informal" no dia 21 de dezembro.

Nas últimas semanas, o Irã endureceu seu posicionamento, a tal ponto que, no início de dezembro, Paris, Londres e Berlim expressaram "profunda preocupação" com a instalação de três novas usinas de enriquecimento de urânio em Natanz (centro do Irã).

Os três países também expressaram alarme com a aprovação, pelo Parlamento iraniano, de uma lei controversa que, se for promulgada, poderia representar o fim do acordo.

Segundo a imprensa local, a lei pede que o governo encerre as inspeções das instalações nucleares por parte da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e exige que essas instalações "produzam e armazenem 120 kg por ano de urânio enriquecido a 20%".

Isso se choca frontalmente com os controles acordados com as grandes potências no acordo de 2015.

Para os signatários do acordo, é uma questão de chamar Teerã à ordem.

"É preciso dizer diretamente aos iranianos que parem de infringir o acordo", afirmou um diplomata ouvido pela AFP.

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