Publicado 16 de Dezembro de 2020 - 15h47

Por AFP

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta quarta-feira (16), que a vacinação permitirá ao Brasil "voltar à normalidade", um dia depois de advertir sobre o risco de efeitos colaterais dos imunizantes que chegam ao mercado para conter a pandemia do novo coronavírus.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse por sua vez que a vacinação poderá começar em meados de fevereiro para que se possa enfrentar a doença, que já deixou cerca de 7 milhões de infectados e quase 183 mil mortos em um país com 211,8 milhões de habitantes, o segundo com mais mortes depois dos Estados Unidos.

No evento de lançamento do plano nacional de imunização em Brasília, Bolsonaro, que tradicionalmente minimizou a gravidade do vírus e criticou as medidas de isolamento social adotadas pelos governadores, reconheceu que a pandemia "atinge" os brasileiros "desde o início".

"Depois da tempestade, a bonança. É isso que vislumbra o Brasil. O bem comum, a volta à normalidade", afirmou o presidente.

Bolsonaro confirmou que disponibilizará esta semana R$ 20 bilhões para comprar a vacina "dentro do padrão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)" e prometeu ao Brasileiros que podem ser vacinados "gratuitamente e voluntariamente".

Na terça-feira, em entrevista à televisão, o presidente afirmou que não será vacinado e levantou dúvidas sobre a segurança dos imunizantes.

"Eu não vou tomar vacina. E ponto final. Se alguém acha que a minha vida está em risco, o problema é meu. E ponto final (...) Lá no meio está escrito que essa empresa não se responsabiliza por qualquer efeito colateral. Isso acende uma luz amarela. Você começa a perguntar para o povo, você vai tomar essa vacina se as condições são essas?"", declarou.

E insistiu na necessidade de um "tratamento preventivo", que inclua hidroxicoloquina, sem evidências médicas de eficácia.

Pazuello disse que "todas as vacinas produzidas" no Brasil terão "prioridade" do sistema público de saúde, inclusive a chinesa Coronavac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan de São Paulo, objeto de polêmica entre Bolsonaro e o governador desse estado, João Doria, apontado como seu possível rival nas eleições de 2022.

O plano, que segue prosseguimento pelo Ministério da Saúde desde terça-feira, detalha que o governo está negociando cerca de 350 milhões de doses de vacinas até 2021, incluindo 210 milhões das desenvolvidas por Oxford em parceria com a AstraZeneca e o instituto brasileiro Fiocruz; 42 milhões do conglomerado internacional Covax e mais de 70 milhões da Pfizer.

Até agora, o ministro não tinha definido uma data para o início da vacinação, mas disse nesta quarta-feira que poderá começar em meados de fevereiro, com o AstraZeneca e o Coronavac, desenvolvidas pelo laboratório chinês Sinovac.

O programa planeja inicialmente vacinar grupos de risco contra a covid-19 e chegar a toda a população em um período de 16 meses.

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