Publicado 16 de Dezembro de 2020 - 11h17

Por AFP

Para os Estados Unidos 2020 foi um ano de fraturas e divisões, marcado por uma campanha eleitoral muito agressiva, pela atitude de Donald Trump e também por Joe Biden, cuja vitória representa uma profunda mudança de estilo na Casa Branca.

"Vencer, vencer, vencer". Durante meses o presidente republicano repetiu o lema em um país abalado pela pandemia de covid-19. E depois das eleições de novembro, Trump não reconheceu a derrota e insistiu nas acusações de fraude eleitoral.

A tensão dos últimos meses transforma a chegada do democrata Biden à Casa Branca em uma promessa de calma.

Uma promessa resumida em uma charge de Robert Leighton publicada na revista New Yorker. Um pai lê uma história para a filha antes de dormir e termina com a frase: "E daquele dia em diante, nem tudo era sobre Donald J. Trump".

Na forma e no conteúdo, em suas indicações para o gabinete e em suas declarações, Biden, que será a partir de 20 de janeiro o 46º presidente dos Estados Unidos, tenta mostrar desde sua vitória o contraste com Trump.

Estados Unidos viveram 12 meses ao ritmo das eleições de 3 de novembro, mas será provavelmente o epílogo da batalha eleitoral que permanecerá na história, com um presidente que se nega a reconhecer a derrota.

Em tuítes escritos com letras maiúsculas e pontos exclamação, mas sem provas das acusações, o presidente republicano denunciou o que chamou de "eleição mais corrupta da história".

Trump desprezou todas as regras não escritas que contribuem para o bom funcionamento da política americana: parabenizar o vencedor, transferência de poder ordenada e declarações conciliadoras.

Mas os cenários mais apocalípticos não se concretizaram. Diante dos ataques de Trump, da avalanche de recursos judiciais apresentados contra os resultados eleitorais e da divulgação de teorias da conspiração, as instituições mostraram sua força.

"Agora sabemos que nada, nem sequer uma pandemia ou o abuso de poder, pode apagar a chama da democracia", declarou Biden.

Ainda resta uma pergunta sem resposta: Trump teria vencido a eleição se a pandemia não tivesse afetado a maior economia mundial?

O presidente está convencido de que sim. Se não conseguiu "mais quatro anos incríveis na Casa Branca" como previu, foi por causa do "vírus chinês", como ele chama o novo coronavírus que foi detectado pela primeira vez no país asiático.

A bordo do Air Force One, durante o primeiro dia de sua visita à Índia em fevereiro, ele expressou todo seu otimismo para as eleições.

A economia apresentava bons números, ele havia superado o processo de impeachment e o Partido Democrata ainda escolhia entre Bernie Sanders e Joe Biden.

Semanas depois, o início da pandemia mudou a situação. A crise de saúde deixou mais de 1,6 milhão de mortos no planeta e afetou de maneira dura a economia.

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